Editorial

Preparar um segundo semestre de lutas

Da Redação

Hoje se comemora mais um 1 de maio em meio a pandemia. Há um ano atrás o mundo vivia o auge da primeira onda. A pandemia era uma incógnita. E, no caso brasileiro, já começavam a ser sentidos os primeiros efeitos de um mês inteiro com baixa atividade econômica. A pobreza já começava a ser sentida e o desemprego em massa também. Lembrando que foi em meados de março de 2020 que a pandemia foi reconhecida no Brasil e as primeiras interrupções no fluxo de pessoas começavam a ser determinadas.

Um elemento simbólico não deve passar despercebido. A primeira morte oficial relacionada a covid 19 no Brasil foi de uma mulher trabalhadora doméstica. Um dos setores da classe mais precarizados. Para variar a classe trabalhadora mais uma vez “pagando o pato”. Nesse caso a patroa trouxe a Covid da Itália e não abriu do trabalho doméstico. Típica forma de a elite tratar as coisas.

Um ano depois a situação se agravou. A doença se alastrou na classe. A falta de leitos para internação, aparelhos para intubação, oxigênio e remédios marcaram os primeiros meses de combate à doença.

A irresponsabilidade dos negacionistas comandados por Bolsonaro foi um fator decisivo para o aumento das mortes. Bolsonaro e sua gangue genocida jogaram contra o isolamento, prescreveram medicamento inútil ao combate à doença e não compraram a vacina quando esta passou a estar disponível.

Outra face da tragédia que se abateu sobre a classe nesses tempos de pandemia tem a ver com as medidas de defesa do emprego ou a falta delas promovidas pelo Governo Federal. Bolsoraro ofereceu o mínimo do mínimo. O congresso o derrotou. Por sua vontade o povo morreria de fome. Ou, o mais provável, se arriscaria ainda mais para sobreviver por causa da covid.

Ataque a direitos foi a tática adotada. Pandemia virou oportunidade para passar a boiada. Nesse interim as organizações da classe impedidas de implementar sua pauta de reivindicações nas ruas se viram presas as manifestações online ou simbólicas.

Foi acertado não arriscar o povo e assumir a morte da vanguarda. Não faz parte da tradição da classe a tática kamikaze. O saldo foi negativo. Tivemos pequenas vitórias, mas muito mais derrotas. É preciso reconhecer. Mas o que está represado devido a mais de 1 ano sem mobilização de massa começa a ganhar horizonte. Começa a ficar nítido um segundo semestre com as primeiras mobilizações de caráter parcial, só com vacinados.

Defendemos que o impulso político dessas mobilizações deve dialogar com as demandas concretas da classe. A defesa do emprego e salários, o preço dos alimentos, transporte e tudo que faz o trabalhador sentir o peso de Bolsonaro. É preciso deixar claro para classe que Guedes “deixou uma granada nos seus bolsos” e que preciso não só se livrar dela mais arremessá-la na direção correta.
Não dá pra esperar o revide só em 2022. É necessário construir o calendário do segundo semestre já. É possível dar uma virada já e inviabilizar Bolsonaro já em 2021. As forças de esquerda devem ter essa tática como prioridade.

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