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Viação Acari encerra seus serviços

Por Camila Pizzolotto*

Parece meio patético lamentar o fechamento de uma empresa de ônibus no meio de uma pandemia onde 400 mil pessoas morreram.

A viação acari, que fazia as linhas 254, 456, 457 e 607, encerrou seus serviços.

São ônibus que atravessam a minha vida de ponta a ponta, principalmente o 254, que me levava/trazia do centro pra chegar na faculdade/casa.

Por isso, eu lamentando a perda das linhas como moradora da zona norte (o 457 já não era mais o mesmo, não deixava mais na Gal. Osório, fazendo com que a gente tivesse que pegar duas conduções pra chegar na praia). Mas lamento também como observadora da minha cidade que aos poucos vai se tornando outra.

Não é uma outra cidade que ampliou o que temos de melhor, mas o que temos de pior. Lugares de afeto fechando, falindo. A extinção das linhas da viação acari é a extinção de um lugar de segurança (254), de verão (457/456), de choros e apertos e conversas que faziam passar do ponto.

Lugar de uns bons sonos que tirei também. pode parecer meio bobo, mas sinto um que um pouco da minha identidade e dos meus está se transformando e que os caminhos não vão ter mais aquele gostinho de casa.

Do Mergulhão à Madureira, couberam 13 anos de universidade, alguns namoros e flertes, milhões de músicas, de observação e encantamento com a cidade. Coube até festa de aniversário para aqueles que já se conheciam da fila de 6h30.

Cruzando novos caminhos, espero que o Rio de Janeiro reencante as pessoas que fizeram sua vida, seu trabalho e estudo parte dessas linhas.

*Camila Pizzolotto é doutoranda em História pela UFF.

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