ColunasLeonel Camasão

Unidade da esquerda para derrotar o bolsonarismo em Santa Catarina e no Brasil!

Por Leonel Camasão*

O mandato de Bolsonaro representa um momento de exceção na história do país. Exceção pelos constantes ataques à democracia; pelos inúmeros crimes de responsabilidade e por sua campanha consciente a favor da morte dos brasileiros durante a pandemia, atrapalhando a aquisição de vacinas, negando ajuda econômica e divulgando tratamentos ineficazes. Estamos no pior momento de nossa história. E em pouco mais de um ano, as eleições serão uma oportunidade para varrermos para a lata do lixo da história esse tenebroso momento do Brasil.

A recuperação dos direitos políticos do ex-presidente Lula torna-se o principal fato político na sucessão presidencial. A polarização do país tende a ser mais acentuada do que em 2018, estrangulando candidaturas que se apresentem como terceira via, à esquerda e à direita. As sucessivas vitórias judiciais do ex-presidente, assim como o desastroso desempenho de Bolsonaro na recuperação econômica e no combate à pandemia, já fazem Lula liderar as pesquisas e abrir vantagem de 18 pontos percentuais contra Bolsonaro em um eventual segundo turno. Guilherme Boulos, nome natural do PSOL à presidência, já anunciou sua intenção de concorrer ao governo de São Paulo, fazendo um gesto importante para a unidade em nível nacional. Essa unidade, porém, não virá a qualquer custo, caso o petismo opte pelas antigas alianças com a direita tradicional. 

Negacionistas e extremistas estão exercendo o governo em muitos estados, sejam aliados orgânicos ou eventuais de Bolsonaro. Eles reproduzem a política da morte e da desestruturação dos serviços públicos. Em Santa Catarina, é esse o caso, seja com um Moisés reconciliado com Bolsonaro para não perder o cargo, seja com Daniela e sua vocação “puro-sangue” ao extremismo. 

Por isso, nunca foi tão importante a unidade das esquerdas em nosso Estado. O maior resultado desse campo em eleições para governador se deu em 2002, ano da “onda Lula”, onde José Fritsch (PT) quase levou à esquerda ao 2º turno pela primeira vez na história de nosso estado. De lá para cá, a esquerda vem perdendo cada vez mais espaço e terreno em Santa Catarina, algo que pode ser revertido a partir da mobilização nacional anti-Bolsonaro. Uma nova “onda Lula” parece se formar, e a possibilidade de derrotar o extremismo de direita em Santa Catarina volta ao campo das possibilidades. 

Parte da esquerda já fala pela imprensa de uma reconciliação com o MDB catarinense, promotor do golpe contra Dilma Rousseff, para uma candidatura em parceria com o “centro” (leia-se direita tradicional). Tal tática constitui um erro crasso, pois entrega de início qualquer possibilidade de um programa de mudanças estruturais em nosso estado. Corre-se o risco de repetir o que ocorreu na eleição para a mesa diretora da Câmara dos Deputados: confiou-se no “centrão” para “derrotar o candidato de Bolsonaro” e na hora “h” migraram em boa parte para o candidato bolsonarista, levando a disputa em primeiro turno. Ou ainda, às alianças estranhas realizadas por parte da esquerda catarinense com a direita tradicional em 2018, buscando eleger “seus” deputados. Os que conseguiram “chegar” à Alesc assistem tais parlamentares na base de apoio do governo ou a caminho dos partidos da direita tradicional, tendo usado as siglas como mero trampolim. 

Nas eleições para governador de Santa Catarina, a esquerda deve estar unida, repetindo o belíssimo processo ocorrido em Florianópolis, onde sete partidos da esquerda e da centro-esquerda compuseram a coligação em torno de Elson Pereira (PSOL). Não podemos ter dois candidatos bolsonaristas no segundo turno, como em 2018. Os que não foram cooptados para o bolsonarismo e simpatizam com nossas ideias merecem a chance de ter uma candidatura representada no segundo turno. Isso não será possível caso parte da esquerda embarque em qualquer candidatura “de centro” de largada. Estamos abertos a esse diálogo e a construção de pontes que permitam essa ampla frente contra o fascismo, o autoritarismo e o negacionismo em Santa Catarina.

*Leonel Camasão é Jornalista, LGBT+, defensor de direitos humanos. Foi candidato a governador pelo PSOL em 2018 com 72.133 votos.

Etiquetas
Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar