ColunasGustavo Miranda

Vacinação já para não deixar passar a boiada

Por Gustavo Miranda*

Sem rodeios, é preciso constatar que a condição de resistência do povo contra os desmandos de Bolsonaro piorou durante a pandemia. Apesar de um início sem êxito no seu governo, Bolsonaro conseguiu segurar o leme e não deixou o caos social do Brasil colocar em risco sua presidência.
As pesquisas vão e voltam e o cenário é desanimador. Bolsonaro se mantém com índices de ótimo e bom que desencorajam qualquer movimentação de impeachment.

O apoio está relacionado ao peso das forças políticas que pavimentaram sua chegada a Presidência. Bolsonaro fez uma campanha de destruição nacional, machismo, ataques ao meio ambiente, homofobia, ataque a direitos e subserviência ao capital financeiro e internacional. Não decepcionou, governa com e por quem o elegeu.

É verdade que tem os arrependidos, ou melhor, falsos arrependidos que ainda tem a coragem de apostar na narrativa da “difícil escolha” entre Haddad e Bolsonaro. Portanto é um arrependimento tático que só é expresso para ganhar as bases que se deslocam do bolsonarismo por descontentamento da condução dessa ou daquela política pontual do governo.

Se não podemos contar com a oposição liberal, vide a candidatura do Baleia Rossi, cabe a organização da resistência real, com lastro nas ruas, nos convencidos do desastre que é o Bolsonaro.

É aí que está o gargalo. Ninguém que olhasse o cenário pré-pandemia imaginaria que seria fácil. Ou que estávamos à beira de uma insurreição contra o bolsonarismo. Pelo contrário, estava-se diante do início de uma longa e prolongada luta contra o fascismo e seus aliados e pela resistência para que direitos fossem mantidos.

As manifestações pré-pandemia foram importantes, mas ainda foram restritas às bolhas da esquerda, com exceção da greve geral da educação de maio de 2019.

A situação piorou. Nem essa resistência de rua é possível mais por causa da pandemia. E governo como anunciou Ricardo Sales, está passando a boiada.
A PEC emergencial e a Reforma administrativa são grandes exemplos. Que cenário seria melhor senão o pandêmico para tramitar e aprovar ataques tão profundos aos direitos do povo? E a venda das Refinarias da Petrobrás? Autonomia do Banco Central! Sem pressão está tudo mais fácil. Inclusive porque as pautas liberais avançam sem desgaste.

Nesse contexto, é preciso reconhecer, só a pauta do FUNDEB foi vitoriosa. Mas que pode não significar nada se houver desvinculação do orçamento da saúde e educação.

É preciso, então, dizer que estamos numa situação em que chamar para rua é negacionismo e ficar longe das ruas é cair sem lutar.

Por isso não dá para ter dúvida, e Bolsonaro sabe disso, que é a vacina a nossa de principal arma de luta. Sem vacina não tem luta capaz de fazer o mínimo de enfrentamento de rua. E sem mobilização de rua não tem como fazer frente a esses ataques.

Portanto é preciso entender qual é a prioridade. Parte do movimento social angustiado e de mãos quase atadas pelo isolamento começa a defender o retorno às ruas como forma de luta, mesmo sem vacina. O problema é que a volta nesses termos nivela a posição de esquerda a um quase negacionismo irresponsável. Uma lástima que ajudará a normalizar ainda mais a pandemia e colocar em risco muito mais gente.

Só mobilizações de massa foram responsáveis por barrar retrocessos e agora não será diferente. Por isso a esquerda deve abraçar uma campanha pela vacina já de forma unificada, inclusive com apoio institucional de prefeitos e governadores.

Greve geral pela Vacina Já! Ou vacina ou paramos o Brasil!

*Gustavo Miranda é professor e coordenador-geral do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (SEPE).

Etiquetas
Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar