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152 anos de Krúpskaia

Por Carolina Peters*

Revolucionária, pedagoga, militante do movimento de mulheres (e tantas coisas que a qualificam além do casamento), Nadja – a íntima! – Krúpskaia tem uma vida inspiradora e um trabalho interessantíssimo.

Em 23 de dezembro de 1922, enquanto acompanhava Lênin, que estava sob cuidados médicos, escreve a um camarada, pê-da-vida: 《Ontem Stalin se permitiu dirigir-se a mim com as mais grosseiras palavras, por motivo de uma cartinha que me ditou Vladimir Ilich com autorização dos médicos. Não estou no partido há um dia. No curso destes trinta anos não escutei nunca uma só palavra grosseira de um camarada. […] Neste momento tenho necessidade de um máximo de autocontrole. […] Entretanto, não tenho forças nem tempo para perder numa comédia tão estúpida. Eu também sou feita de carne e meus nervos estão extremamente tensos》 (em Lênin, Últimos escritos e diário das secretárias, ed. Sundermann). Lembro de ler junto com amigas e nos identificarmos profundamente com seu estado de espírito naquele momento.

Conheci essa carta em um mini curso com a Graziela Urso sobre as mulheres e a Revolução Russa, ministrado na UFRJ. Acho, aliás, que foi meu primeiro contato com seus escritos.

Se eu pudesse recomendar um texto, um que eu simplesmente adoro pela lucidez e didatismo na construção do argumento e pela pertinência ainda hoje (o que não deixa de ser lamentável): “Deve-se ensinar ‘Coisas de mulher’ aos meninos?”, de 1909-10 [trechinho na última foto]. Foi traduzido pela Priscila Marques em A revolução das mulheres (Boitempo), organizado pela Graziela Schneider.

*Carolina Peters é militante feminista e esse texto foi retirado do Instagram Sistema Literário mantido por ela.

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