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Negacionistas lançam sua artilharia para os sindicatos e contra a greve em defesa da vida

Por Gustavo Miranda*

A retomada das aulas nas escolas privadas e a aproximação do retorno das escolas públicas tomou conta do noticiário essa semana. A pressão para a abertura das escolas, de qualquer jeito, é forte desde o ano passado.

Com a pandemia descontrolada e com governos negacionistas ou pouco efetivos no combate à disseminação da doença, os educadores logo se viram na difícil missão de lutar em defesa da sua saúde, da sua vida e de seus familiares.

O não retorno presencial era o mote, que em alguns lugares, devido à intransigência dos governos, resultou na greve em defesa da vida.
Uma pauta única, mais do que justa e plenamente constitucional.

A defesa por retorno seguro sensibilizou a sociedade. E ano passado, a maioria da população já assinalava sua opção de não mandar os filhos para a escola.

A decisão gerou controvérsia. É obvio que a escola é importante. Por certo, essa experiência serviu para demonstrar que homeschooling, outro filho do negacionismo, é uma falácia pedagógica.

As crianças precisam da escola. Os pais precisam que seus filhos fiquem na escola. Mas todos (ou a maioria) tinham a plena consciência de que a vida era mais importante.

Havia, de fato, uma pressão econômica. E essa está cada vez maior. Mesmo assim, o movimento organizado de educadores e comunidade escolar resistiu bravamente.

O cenário mudou porque o limite da população está menor. A pressão econômica devido ao corte no auxílio emergencial levou uma massa a ter que buscar o que fazer e com isso se arriscar.

Portanto, não foi a opinião das pessoas em defesa da vida que vem mudando, mas há uma operação coordenada para sufocar a população mais pobre para que assuma uma posição por uma abertura ampla, geral e irrestrita.

Uma parte da classe média negacionista está nas redes sociais a dizer que o retorno é uma saída racional, na medida em que a causa da depressão econômica é o retorno parcial de algumas atividades.

Essa é uma falsa verdade. O que gera a crise econômica é a falta da vacina e emergencialmente do auxílio.
Nessa semana, seus interlocutores mais virulentos lançaram toda a carga de propaganda negativa sobre os sindicatos da educação, sobretudo os da escola pública.

“Vagabundos”, “não querem trabalhar”, “demite todo mundo” é a linha de ataque para setores que compreendem que o sindicato ainda é um espaço de resistência a ser derrotado.

Cabe ao movimento social a solidariedade aos educadores e pressão para que essas figuras asquerosas sejam punidas pelas calúnias, injurias e difamações que fazem circular com pitadas de ódio de classe.

Retorno só com a vacina é, nesse momento, a contribuição que a educadores brasileiros dão ao combate a pandemia. É com certeza um gesto de patriotismo.

*Gustavo Miranda é professor e coordenador-geral do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (SEPE).

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