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Estancou a sangria … Com o centrão com tudo

Por Maykon Santos*

Em 2016 Romero Jucá disse a famosa frase “é preciso estancar essa sangria”.

Ali se referia a necessidade de acabar com a Lava Jato que tinha jogado várias bombas no sistema político do país.

Vejam, naquele momento não havia mais ou menos no corrupção no Brasil. A novidade era a condenação de vários políticos.

Dilma era a primeira presidenta desde Collor a não conseguir blindar o sistema político de ataques da mídia, da sociedade e, principalmente, de parte do judiciário.

Era preciso oferecer a cabeça de Dilma Rousseff e a imolação do PT como o partido mais corrupto da história e preservar todo o resto.

Desde então, o que o sistema político no Brasil tenta fazer é isso.

Vejam, não estou defendendo a Lava Jato, e suas várias ilegalidades.

Estou dizendo que ela se tornou adversária da elite política deste país.

E quem mais tem interesse na autopreservação da classe política é o Centrão.

São estes que estão em todos os governos e envolvidos em esquemas de corrupção nas estatais que comanda em troca de apoio, nos desvios em obras que suas emendas em troca de apoio geram.

E, agora, finalmente a sangria foi estancada.

Não por Lula (um dos membros do time da operação abafa de Jucá), não por Temer, não por Aécio ou Alckmin.

Mas pelo fruto da própria Lava Jato: bolsonaro, o minúsculo.

O candidato antissistema é o responsável por colocar na presidência da Câmara dos Deputados um réu (Arthur Lira) com apoio fundamental de outro investigado (Aécio Neves).

É mais um passo que já teve outros como a nomeação de Kassio Nunes Marques no STF, a nomeação do novo procurador Augusto Aras, a intervenção na Polícia Federal e o afago em Dias Tofolli.

A grande questão é até quando o minúsculo conseguirá criar a narrativa de antissistema, de perseguido para sua base mais fiel.

*Maykon Santos é professor das redes públicas municipais de Cubatão e Santos, historiador, militante do Círculo Palmarino, do PSOL e em defesa da educação pública de qualidade.

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