Editorial

Agora é Erundina

Da Redação

O possível desmoronamento da candidatura de Baleia Rossi colocou em xeque a tática de setores da esquerda para a disputa na Câmara dos Deputados. O cenário mudou depois do avanço da candidatura de Lira a presidência da casa. A pergunta que fica é: é possível reverter a vitória do bolsonarista?

Não se pode dizer que é uma surpresa a operação de compra de votos a favor de Lira organizada pelo bolsonarismo. Estão certos aqueles que denunciam, inclusive se valendo de dados da recente distribuição de emendas.

Mas a realidade é que parte do centrão se vê mobilizado pelo que interessa: dinheiro, poder, cargos. Não importa de onde venha. Ganha a disputa quem pagar mais.

Maia buscou reunir votos programáticos antibolsonaro com os esses votos pragmáticos. Tudo indica que não conseguiu.

Sem ter articulado previamente uma candidatura unificada de esquerda o cenário que se avizinha, caso não seja encaminhado um novo rumo a movimentação da esquerda, é um cenário inédito: sem minimamente marcar posição contra a barbárie bolsonarista toda a base de esquerda caminha para ser sócio menor de um empreendimento falido.

Nós do Voz da Resistência dissemos em outro editorial que a tática de apostar em Baleia era equivocada justamente pelo que representa, pelo que se propõe a não fazer e pelo que se propõe a fazer. E que a posição da executiva do Psol era acertada ao declarar voto no pupilo de Temer somente no segundo turno, num cenário de necessidade de veto a Lira.

Agora com a diminuição significativa da possibilidade da vitória de Baleia não existem mais argumentos para essa empreitada. É necessária uma correção de rumos. Nesse caso, a garantia de uma expressiva votação em Erundina. Redução de danos como alguns gostam de dizer.

Tal movimento demonstraria força e seria uma mensagem clara a sociedade: a única forma de enfrentar o bolsonarismo é se contrapondo claramente contra suas pautas. É preciso polarizar para virar alternativa.
E frente a situação atual ter uma candidatura de esquerda chegando em segundo e quem sabe disputando o segundo turno com Lira seria uma imensa vitória.

Numa eleição com essa, com grande grau de mobilização, fica evidente que esse movimento fragilizaria o setor da direita tradicional, comandado por Maia e Dória. De quebra seria uma derrota significativa da narrativa da imprensa tradicional de que somente uma candidatura de centro direita poderia evitar mais quatro anos de Bolsonaro.

Agora cabe as direções dos partidos de esquerda orientar voto em Erundina e demonstrar que a esquerda continua disputando a pauta nacional.

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