Editorial

O rumo do PSOL na eleição da Câmara dos Deputados

Da Redação

Em condições normais a disputa pela Câmara, em especial sua presidência, é um assunto pouco decisivo visto a correlação de força dos parlamentos está dada.

Mas no atual contexto a disputa pela presidência da câmara federal aponta rumos que desaguam em 2022.

Sozinha a esquerda não teria condições de encabeçar uma chapa vitoriosa. Compondo um bloco estaria em melhores condições de influenciar os rumos do parlamento. Isso equivale a dizer que estaria melhor posicionada, fruto das negociações, em comissões ou mesmo na mesa diretora. Tudo isso é verdade.

Mas a pergunta que fica é: será que isso suficiente para abrir mão de uma candidatura? Veja que aqui não está se falando de voto nulo no segundo turno, que certamente acontecerá. Mas somente de não abrir mão de uma candidatura que defenda que não serão colocados em pauta projetos de lei que tratem da retiradas de direitos do povo trabalhador, e que se posicionará contra a privatização das estatais, em defesa do SUS, em defesa da Amazônia.

Enfim não abrir mão do debate com a sociedade a partir da pauta histórica da esquerda. Não parece que o que está em jogo é a correlação de forças do impeachment. Quem ousa tratar as coisas nesses termos está querendo iludir parte da militância. A verdade é que nenhum presidente fará tramitar o pedido de impeachment no atual quadro de aprovação de Bolsonaro.

A saída encontrada pelo PT, apesar das honrosas dissidências, demonstra que partido perdeu a capacidade de liderar a sociedade na luta contra o bolsonarismo. O partido age como es fosse governo, e parece se envergonhar de ser minoria no parlamento.

Não nos enganemos, o “bloco de Maia” é a antecipação das eleições de 2022.  A incorporação do PSOL ao bloco do Maia, nome que já diz tudo, não terá efeito somente nas eleições do parlamento. A imagem que ficará para a sociedade é que a polarização real é entre Maia e Bolsonaro. É preciso enfrentar e derrotar o bolsonarismo e a direita ultra-neoliberal, sintetizada na agenda de Paulo Guedes.

E é por ser decisiva para fora da Câmara essas eleições que o partido deve ampliar o debate sobre os rumos que deve tomar. O PSOL não representa somente 10 deputados. A representação parlamentar do PSOL na Câmara é um retrato da correlação de forças de 2018. Mas nesse momento a posição da bancada deve se conformar com o tamanho que o partido tomou em 2020. Partido esse que ampliou e, portanto, consolidou sua posição como principal bancada de esquerda no Rio de Janeiro, foi ao segundo turno em São Paulo e venceu a principal capital da região norte, só para ficar nos principais exemplos.

Na impossibilidade de se convocar uma ampla consulta as bases, quem deve decidir é o diretório nacional e não a bancada. Essa é saída democrática para um debate que já está sendo feito nas redes sociais.

Para quem acha essa saída radical de mais, importante registrar que o PSB fez isso na iminência da sua bancada se agrupar ao candidato do Bolsonaro.

Para o VOZ DA RESISTÊNCIA não há dúvida dos rumos a tomar. O PSOL deve insistir numa candidatura de esquerda unificada, podendo inclusive renunciar à candidatura à presidência, e no limite lançar uma candidatura que expressa a posição da esquerda. Deve ser uma candidatura anti-Bolsonaro com ampla mobilização popular, da comunidade artística, movimentos sociais.

Que produza junto uma pauta para o parlamento. Mas que partirá de um pressuposto, se eleita, colocará já em fevereiro abrirá o processo de impeachment de Bolsonaro.

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