Camila PizzolottoColunas

Observando as fichas da Resistência: imigrantes e nacionais

Por Camila Pizzolotto*

Observando as fichas de admissão dos filiados à Resistência, podemos encontrar diversas informações como local de moradia, nome de pai e mãe, data de nascimento e, dentro de um certo recorte, perceber quem era alfabetizado e quem não era.

Mas uma coisa chama atenção: a configuração étnica da Resistência. Formado em sua maioria de homens negros descendentes de escravizados ou eles mesmos saídos do cativeiro, faziam esse trabalho que dava continuidade às redes de solidariedade construídas na escravidão.

Na virada do século XIX pro XX, no entanto, com a imigração europeia – subsidiada pelo Estado – muitos portugueses, italianos, espanhóis pobres chegaram ao Brasil e as disputas em torno do mercado de trabalho incipiente provocaram muitas vezes conflitos, alguns chegando à mortos e feridos.

É fundamental perceber que mesmo que portugueses e italianos fossem pobres, muitas vezes analfabetos, tendo a intenção de voltar para seus países de origem, aqui se valiam de um Estado, da Polícia e da imprensa da época para validar seus posicionamentos e suas versões nessas disputas trabalhistas. Eram homens brancos de origem européia dando testemunho de disputas e crimes em oposição aos nacionais, muitas vezes negros, entendidos como “classe perigosa”.

Na foto 1 e 2. João Antônio da Rosa, nascido em 1885, alfabetizado, de São João de Itaboraí, Rio de Janeiro. Na foto 3 e 4. Ermelindo Antônio Pereira, nascido em 1871, analfabeto, de Guimarães, Portugal.

*Camila Pizzolotto é doutoranda em História pela UFF e esse texto foi retirado do Instagram Memórias da Resistência mantido por ela.

Etiquetas
Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar