Editorial

Preparar para volta “cirúrgica” às ruas em defesa dos direitos

Da Redação

A aprovação da reforma administrativa, uma reforma de caráter constitucional por sinal, em meio a pandemia é mais um exemplo de o quanto está combalida a nova república inaugurada em 1988.

Esse marco é importante, pois a constituição ganhou a alcunha de constituição cidadã. Dessa forma é um contrassenso que nos marcos da constituição de 1988 se proponha promover reformas tão profundas, num cenário de evidente incapacidade de debate amplo.

Os juristas liberais enchem a boca para falar em pacto pelo Brasil. Não seria a hora de estabelecer um pacto mínimo de só se fazer reformas estruturais quando do retorno da normalidade?

A reforma administrativa caberia na urgência pandêmica para funcionamento do legislativo? Não seria prudente só tramitar o que diz respeito a pandemia?

Parece que não. E os setores do empresariado que não conseguiram aprovar a reforma administrativa em outros momentos, de maneira oportunista, se valem da pandemia para fazer passar sua pauta.

Aproveitam a fome do povo, que está também sem trabalho, e o risco de vida que corre os setores organizados de ir para a rua lutar por direitos, as restrições à circulação entre cidades e entre estados, para dar um verdadeiro golpe na democracia com supremo e tudo.

Como está claro, não se pode confiar no senso democrático do “centrão” de Rodrigo Maia. Sobra ao funcionalismo e a esquerda se adaptar aos novos tempos.

É chegada a hora de flexibilizar isolamento em nome de uma intervenção política que defenda direitos históricos.

A saída da esquerda à rua cooperou com o objetivo geral de impedir que hordas fascistas ficassem livres nas ruas. Uma saída cirúrgica. Agora precisamos de outra intervenção desse tipo, para se armar contra o ataque que está se fazendo ao serviço público no Brasil.

Importante lembrar que o jogo das eleições também é jogado nessas mobilizações. Em nada adiantará cobrar ou lembrar a população sobre um passado de governo da esquerda.

É somente a massa organizada mobilizada, muitos deles funcionários públicos, contra as reformas e privatizações que pode diminuir a distância entre a esquerda e a direita. A greve dos correios é um exemplo.

Convocá-los para a luta, em parte presencial, é o único elemento que pode fazer a diferença nessas eleições.

A esquerda precisa avançar numa mobilização, ainda nesse final de ano, e a luta contra a reforma administrativa pode cumprir esse papel, que possa também se tornar um pólo eleitoral contra Bolsonaro e a direita tradicional.

É importante lembrar que o bolsonarismo não se enfraqueceu. A justiça, o MP e a PF, cada vez mais são seus braços políticos, já procuram intervir no pleito eleitoral, como no caso de Eduardo Paes aqui no Rio de Janeiro. A lava jato mantém sua série ininterrupta de operações, agora contra escritórios de advocacia.

Enfim, o cenário demanda uma ação de luta mais ativa. Chegou a hora de retornar ” cirurgicamente” as ruas.

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