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Mano Eloy e a Resistência

Por Camila Pizzolotto*

Ficha de admissão de Eloy Anyhero Dias na Resistência, conhecido como Mano Eloy.

Nascido em Resende 1889, na região do Vale do Paraíba, foi vendedor de balas no Campo de Santana, na região central do Rio.

Foi estivador marítimo na União dos Operários Estivadores do Distrito Federal e ingressou na Resistência em 1910, tornando-se arrumador.

Eloy foi presidente do sindicato 1939 e participou da direção durante muito tempo.

Além de dirigente sindical, Eloy participou da fundação de diversos ranchos carnavalescos na região portuária e onde hoje conhecemos como Madureira. Eloy morava em Oswaldo Cruz e frequentava o Morro da Serrinha. Um dos blocos fundados por ele foi o Prazer da Serrinha, que antecedeu o Império Serrano.

Foi pai de santo reconhecido pela sua comunidade e gravou discos de pontos de candomblé (alguns estão disponíveis no YouTube hoje), além de compor diversos sambas. Articulava politicamente sua atuação no sindicato, na religião, nas redes comunitárias e no carnaval.

Fundou o Império Serrano em 1947, junto com Sebastião Molequinho, Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola entre outros. O GRES Império Serrano tinha profundas ligações com a Resistência porque muitos de seus fundadores estavam diretamente ligados ao sindicato, como era o caso de Eloy e Molequinho.

O estatuto do Império está baseado no estatuto da Resistência e quem fosse sindicalizado tinha acesso livre à quadra da escola de samba.

*Camila Pizzolotto  é doutoranda em História pela UFF e esse texto foi retirado do Instagram Memórias da Resistência mantido por ela.

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