Editorial

Eleição em foco

Da Redação

Num cenário marcado por um congresso conservador sobram vozes para atacar o povo e faltam vozes para contra-atacar. Isso explica um pouco do sucesso que a bancada do PSOL obteve na edição 2020 do Prêmio oferecido pelo site Congresso em Foco para os parlamentares que mais se destacaram no último período.

A verdade é que os 10 parlamentares que o partido possui, no universo de 513, se desdobram em inúmeras pautas, muitas delas “ingratas”, porém não menos justas. É difícil fazer política na contracorrente das pesquisas de opinião, mas os parlamentares do PSOL estão dando conta do recado.

Mas nem tudo são flores. Estar construído política alargando a democracia tem seu preço. Mais uma vez uma parlamentar do PSOL tem ameaçada a sua vida e se vê obrigada a ter que se valer de escolta armada nas mais simples tarefas cotidianas. O caso ganhou a imprensa na semana passada, mas ainda em tom lacônico, com um preocupante tom de neutralidade.

Ainda é precária a defesa/proteção dos parlamentares de esquerda, em especial, aqueles que tem pautas em contraposição a interesses criminosos. Pois tal proteção não é simplesmente técnica, mas política.

Na história da esquerda brasileira e mundial não foram raros os casos em que figuras públicas de referência foram obrigadas a terem sua segurança garantidas pela militância. A perda de acúmulo que a esquerda teve nos últimos 30 anos sobre mecanismos de autodefesa e proteção de militantes, nesse momento, faz muita falta. E obriga a uma incomoda e arriscada dependência exclusiva de aparatos policiais estatais, os mesmos aparatos que os ameaçam.

Menos perigoso, mas não menos significativo, tanto Renata Souza, quanto Fernanda Melchionna foram alvo de hackers nos lançamentos de suas pré-candidaturas. O que coloca outro problema para esquerda que é a segurança cibernética de seus fóruns numa conjuntura em que a grande maioria das interações se dá online.

Entretanto, a segurança não é única preocupação. O papel a ser desempenhado pela esquerda nessas eleições parece ser o mais indefinido dos últimos anos. Com um crescimento eleitoral muito pouco provável, em geral a esquerda luta para se garantir no segundo turno das grandes capitais e polarizar. Além disso garantir o mesmo patamar de vagas no legislativo municipal, lançar novas figuras públicas e se posicionar melhor para 2022.

Nesse sentido, a saída de Freixo pode ser considerada uma enorme derrota. Um efeito direto disso é que Eduardo Paes aparece como principal concorrente a reeleição do Bispo Crivella.

Considerando o peso das capitais a esperança fica com Guilherme Boulos que vem reunindo apoio político suficiente para se transformar num polo político influente nos debates municipais de São Paulo, que serão, como sempre são, nacionalizados. Por certo, candidaturas como as de Porto Alegre, Belém e Fortaleza serão polos de resistência, mas com peso regional.

O fato é que para esquerda são tempos de reconstrução e isso deve ser compreendido como formulação de um programa que a reconecte com os anseios populares. Por isso esperar um surto conscientizador da burguesia arrependida de ter apostado em Bolsonaro, o impeachment de Bolsonaro pelas mãos de Rodrigo Maia, uma suposta decisão no STF ou do TSE ou mesmo que a derrota de Trump possam mudar o cenário é o mesmo que querer ser campeão sem entrar em campo.

Lembrar que Rodrigo Maia, boa parte do judiciário, MP e outros agentes poderosos da política nacional trabalham para os interesses dos endinheirados e para esses Bolsonaro entrega muito, haja vista a agenda de reformas e privatização que o capitão vem anunciando.

Sendo assim, não existe fórmula mágica, a não ser focar nas eleições e irrestritamente atuar na defesa dos interesses do povo, manter um diálogo constante com o setor do movimento social organizado e trazer nessas eleições saídas concretas aos problemas das cidades.

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