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80 anos sem Trótski

Da Redação

Leon Trótski é daquelas personagens indispensáveis na história da humanidade. Presidente do Soviete de Petrogrado, dirigiu ao lado de Lênin e da classe trabalhadora a primeira revolução proletária da história em 25 de outubro 1917. Complemente alheio às questões pessoais, só se deu conta de que a revolução fora feita no dia de seu aniversário 7 anos depois. Um dos grandes oradores da história do socialismo, era capaz de convencer as plenárias mais incrédulas e constantemente enviado para resolver as questões mais insolúveis da revolução bolchevique. Organizador do Exército Vermelho, Comissário do Povo para as relações exteriores, Trótski falava e escrevia em ucraniano, russo, alemão, francês e inglês. Dedicou a sua vida às causas dos miseráveis e dos explorados. Nunca teve um único bem em seu nome. Morreu pelas mesmas ideias pelas quais viveu há exatos 80 anos, em 21 de agosto de 1940.  

Trótski passou boa parte da sua vida no exílio. Preso na Rússia antes da revolução, teve que viver e sobreviver no exílio europeu, onde teve contato com as maiores polêmicas socialistas do período. Aprimorou em vários países pelos quais passou seus conhecimentos históricos e filosóficos. Conheceu Lenin e estreitou contato com as diversas correntes teóricas do Partido Socialdemocrata Russo. Esteve mais próximo dos mencheviques até as proximidades da revolução proletária, quando foi enfim convencido da correção das análises de Lênin sobre o desenvolvimento da insurreição proletária. Desde então ninguém foi tão bolchevique quanto ele, nas palavras do próprio dirigente máximo.

A sua rigidez e energia despertava admiração e temores. Amado e odiado, Trótski só via a sua frente o que deveria ser feito para o triunfo da revolução mundial. Por isso desenvolveu as premissas da revolução permanente e do internacionalismo proletário. Também por isso encontrou nas próprias fileiras do partido bolchevique resistências às suas concepções teóricas. Mesmo diante dos mais ferozes ataques, jamais tergiversou ou conciliou com os seus detratores. Embora tenha sido peça central durante a guerra civil que assolou a Rússia entre 1917 e 1919, sendo o organizador do Exército Vermelho, construindo praticamente do nada um dos maiores exércitos da história da humanidade, jamais se vangloriou. Sabia que a vitória da revolução e a sua consolidação era obra da classe trabalhadora: operários, camponeses e soldados. Todo poder aos sovietes.

Com a morte de Lênin em 1924, Trótski caiu em desgraça na União Soviética. O debate teórico vivo e acalorado do período leninista se viu sufocado por Stálin e seus aliados. A antiga democracia proletária foi esmagada pelo peso da burocracia e do pragmatismo stalinista. Mas isso é uma outra história longa.

Depois de 80 anos, quando caiu pelas mãos do assassino Ramón Mercader na cidade do México, o pensamento de Trótski segue vivo e influenciando milhares de jovens mundo afora. Que o seu exemplo de revolucionário disciplinado e íntegro seja seguido por todos os militantes socialistas.

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