Editorial

A inevitável arena das eleições de 2020

Da Redação

As eleições se aproximam num cenário ainda incerto sobre como a pandemia poderá influenciar o no seu resultado. Ainda não está claro se o Bolsonarismo ou que oposição sairá vitoriosa do pleito. Ou se configurará um empate técnico.

O Brasil na semana passada cruzou a trágica marca dos 100 mil mortos por corona vírus. Com absoluta certeza parte significativa dessas mortes era evitável. Os números dos falecimentos em outros países são prova dessa constatação. O Vietnã que possui uma gigantesca fronteira terrestre com a China não registrou uma única morte. Cuba só registrou somente 88 mortes. A Argentina é outro exemplo, com uma proporção de falecimentos decorrentes do COVID infinitamente menor, ao todo 4.764 mortes. Um caso de sucesso se comparado ao Brasil.

Mas a negligência na contenção do vírus por parte dos Bolsonaros ainda não é perceptível para uma grande parte da população. Daí a incerteza quanto ao resultado eleitoral. A compreensão da população sobre os males do bolsonarismo já teria levado a queda do clã da presidência, e no limite faria dessas eleições uma derrota quase certa para eles e seus aliados. Não é o que está colocado.

Ao contrário, o governo se agarrou com desfaçatez a causa do emprego e jogou com a dificuldade do povo que amargava uma quarentena sem salário e depois sem emprego. Ao demorar a socorrer as dezenas de milhares de pequenas empresas que faliam, o governo optou por uma tática de sufocamento do povo, que mais cedo ou mais tarde, na conta de Bolsonaro, deveria aderir a quebra do isolamento para não morrer de fome.

Com mortes em menor escala Bolsonaro se preparava para colocar a culpa nos governadores fazendo do sucesso do combate a pandemia um contraditório trampolim para seu sucesso, tudo isso custeado aos milhões pelos empresários financiadores de suas fakenews.

As coisas não acontecerem como Bolsonaro projetou, mas o governo operou uma mudança de rumo significativa diante da realidade incontornável de que ajuda econômica à população mais pobre era a única saída para evitar o caos.

As primeiras pesquisas já conseguem mensurar o efeito positivo na aprovação do governo junto a população mais pobre que identifica no governo Bolsonaro a ajuda de 600 reais. Pouco importa que o governo foi contra e só queria dar 200 reais.

Se essa percepção se consolidar na população mais pobre, do ponto de vista eleitoral, pouco irá importar a mudança de posição da classe média.

Até porque esta não sairá de uma posição bolsonarista militante para uma posição antibolsonarista militante tão rápido. É um processo de médio prazo. Portanto as eleições poderão ocorrer durante uma “entressafra” marcado pelo melhor momento bolsonarista entre os pobres por causa do auxílio emergencial e uma oposição ainda silenciosa da classe média, importante formadora de opinião, já em ampla maioria opositora ao governo, mas pouco disposta a militar por sua queda.

Para a esquerda surge um dilema. Ser contra o auxílio emergencial é jogar contra o bem estar do povo. Ser a favor do mesmo sem modificar a associação do mesmo com governo Bolsonaro é cavar a própria cova.

É preciso fugir das tentações fáceis que já se mostraram derrotadas. Não se responde a isso com um simples bordão de que o povo precisa de emprego. Pois a rigor o povo precisa sobreviver, e o emprego é uma das formas. O bico e a ajuda governamental através de programas de transferência de renda também são. Aliás muito mais presentes a realidade da periferia. Só para dar um exemplo, São João de Meriti tem somente 13% da sua população com carteira assinada, isso antes da pandemia.

Não queremos aqui, apresentar a fórmula derrotar o bolsonarismo, apenas resgatar que as posições excessivamente otimistas de que o Bolsonaro estaria prestes a cair não se consolidaram. Se pode até se dizer que houve certa acomodação dos Bolsonaros com a direita tradicional. Para os que achavam que o Bolsonaro cairia porque falava barbaridades é importante registrar que Bolsonaro ainda não deu nenhum motivo para que seu projeto possa ser visto como em contradição com os donos de dinheiro no Brasil. E caso Bolsonaro caísse por força desse setor seria um caso inédito de um governo comandado por fascista cair por obra exclusiva do empresariado.

Sendo assim, uma coisa é certa, enfrentaremos Bolsonaro nas eleições em 2020.

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