Carolina PetersColunas

Benjamin e Florestan

Por Carolina Peters*

Além de um dos mais brilhantes intérpretes do Brasil, o sociólogo Florestan Fernandes, que celebraria ontem (22/07) seu centenário, teve um papel importantíssimo na edição e difusão de diversos autores estrangeiros no país. Particularmente durante a ditadura civil-militar, quando Florestan, como tantos outros professores de esquerda, foi expulso da universidade, ele se dedicou a traduções e organizações de coletâneas.

Gunther Karl Pressler aponta sua contribuição para a recepção dos textos marxistas de Walter Benjamin por aqui:

《Mesmo diante da tendência política em direção a uma abertura democrática, que se estabelecia desde o final da década de 70, ainda vigorava censura política e a exclusão de intelectuais do ensino superior. Florestan Fernandes foi um deles, e ganhou a vida traduzindo e editando livros científicos.

Ele sugeriu a [Flávio R.] Kothe, que fez nome como tradutor do Capital […], a organização de uma antologia de textos de Benjamin. […] Ela concentra a atenção nos textos apresentados pela primeira vez ao público brasileiro: os ensaios sobre Baudelaire (que posteriormente foram publicados no volume III das Obras escolhidas), “O autor como produtor”, sobre Brecht e as “Teses sobre a Filosofia da História”. Kothe explica que a escolha dos textos, naquele momento histórico, foi na contramão da recepção internacional que se caracterizava pela “ênfase dada ao seu [Benjamin] período idealista [em contraposição ao período posterior, apontado como marxista].

Isso interessava ao conservadorismo e é compreensível dentro da correlação vigente de forças”》

*Texto retirado do Instagram Sistema Literário que é mantido por Carolina Peters.

Etiquetas
Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também

Fechar
Fechar