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Em 15 de julho de 1892 nasceu Walter Benjamin

Por Carolina Peters*

O filósofo judeu alemão, que também se tornou um dos nomes mais importantes da crítica literária, escrevendo ensaios sobre grandes nomes, como Goethe, Baudelaire e Kafka, mas também outros menos conhecidos, como Scheerbart ou mesmo Nicolai Leskov – tema de um dos seus textos mais conhecidos (e dos meus favoritos!), “O narrador” -, dedicou ainda estudos interessantíssimos a temas que poderiam ser considerados “menores”, como canções e fábulas populares e a história dos brinquedos, mas que abordou com profunda consideração.

Entre seus títulos mais conhecidos está INFÂNCIA EM BERLIM, dedicado a Stefan, seu filho, onde compartilha lembranças de criança. O interesse pela tradição oral (as histórias transmitidas entre gerações) e pelas brincadeiras infantis rendeu ainda um lado pouco lembrado de Benjamin: ele próprio foi um contador de histórias.

Os primeiros textos literários benjaminianos de que temos registro são poemas, alguns diálogos filosóficos (pelo visto era um gênero da moda na década de 1910, Lukács também tem os seus) e contos com pegada gótica. Mas com o passar dos anos, Benjamin se aproximou mais das anedotas populares, parábolas com um toque fantástico e eventualmente um humor sarcástico, podemos ler alguns em português em A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS (org. Patricia Lavalle) . Além dos contos, ele apresentou, entre 1927 e 1932, programas de rádio para o público infantil – neles estão presentes comentários sobre literatura, análises da vida urbana e seu diagnóstico do tempo presente, em uma linguagem mais simples e divertida, mas que não subestima a inteligência das crianças -, também parcialmente traduzidos em A HORA DAS CRIANÇAS.

Há uns dias, comentei nos stories que tenho lido #Benjamin como nunca, que pensava em compartilhar ainda mais coisas sobre o autor e perguntei se vocês já o conheciam. Com base nas respostas, quis dedicar essa primeira apresentação a um aspecto pouco usual dele, não da ensaística um tanto enigmática (vamos entar nela aos poucos), mas da narrativa mais acolhedora, nem por isso menos sagaz.

*Texto retirado do Instagram Sistema Literário que é mantido por Carolina Peters.

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