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Mudança de rumo no ministério da educação?

Da Redação

A queda de Weintraub e o debate sobre seu substituto indica que o Governo Bolsonaro caminha para realinhar o Ministério da Educação com o tradicional setor do empresariado educacional. Nessa nova composição do Ministério da Educação sairia da pauta prioritária de combate a ideologia no interior da escola, para um Ministério mais pautado em reabrir as portas do fundo público da educação para empresariado.

Essa mudança reflete dois movimentos do governo Bolsonaro. Evitar os problemas gerados por um ministro dirigido por Olavo de carvalho e se aproximar da nova base do governo, marcado pela presença do Centrão.

Esse realinhamento refletiu nos candidatos a Ministro ventilados pela imprensa. Na manhã dessa quarta, um dos candidatos, o atual secretário de educação do paraná Renato Feder, e cotado para assumir o ministério, foi sabatinado na CNN e Globo News sobre sua futura plataforma de gestão.

De forma geral fugiu das perguntas que confrontavam suas posições com as do governo, dizendo não estar entre suas prioridades. É o caso do debate da escola sem partido.
Supreendentemente se posicionou contra o voucher e das eleições para direção de escola. Também defendeu a universidade pública como centros de excelência. Disse apoiar as escolas cívico militares como opção dentro de uma suposta democracia da comunidade escolar em decidir pelo modelo militar. A população que se convence por essa modelagem de ensino deveria ter o direito de ter seu pleito atendido pelo estado, afirmou o empresário-secretário.

Provavelmente tais posicionamentos, fora da curva para bolsonarismo, foram suficientes para Bolsonaro decidir por outro quadro para a tarefa.
A opção por Carlos Alberto Decotelli vem recheada de simbolismos. Negro e com ligações coma universidade pública, o nome parece querer “embolar o meio de campo” ideológico. O fato é que o novo Ministro da Educação é uma incógnita. Nesse contexto ainda precisam ser avaliados a relação do novo Ministro com o “Centrão”.

Parece então estar mais que evidente que o Bolsonaro acusou algum tipo de fragilidade pós prisão de seu fiel escudeiro Queiroz. É verdade que sua fragilidade ainda não está a ponto de nas próximas semanas ocasionar a abertura de um processo de impeachment, mas que ele teve que ceder, não devemos ter dúvida. Já havia cedido quando o centrão nomeou o secretário do FNDE, ordenador de um poderoso orçamento.

O momento é particularmente de atenção para os defensores da educação pública. Com o FUNDEB próximo de expirar e a pressão sobre o retorno antecipado na ordem do dia, parece ser otimismo demais esperar apoio do Ministro pelas demandas emergenciais da educação.

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