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“Vou interferir e ponto final”

Por Caio Teixeira

É notório que a reunião ministerial do governo Bolsonaro divulgada pelo ministro do STF, Celso de Mello, teve uma linguagem tosca e belicista, não surpreende vindo de uma equipe formada por tais elementos.

Ficou nítido que as ameaças às instituições ocorrem porque há espaços para isso. Que pelo menos desde o processo da Lava Jato – que culminou com o golpe contra a Dilma, as normas institucionais foram sendo relativizadas, com apoio do grande capital e da mídia hegemônica. Grampos telefônicos ilegais, prisões irregulares, ação persecutória da “república de curitiba” foram tolerados em nome do “combate à corrupção”.

Uma das falas que chama atenção é a fala de Bolsonaro que diz que aceitaria o impeachment “se descobrissem uma conta dele na Suíça”. Ele confia no pseudomoralismo que tomou conta do debate político no país. Em outras palavras, criou-se a ideia que o único crime terrível é a “corrupção” dos outros. Um governo que faz piada da vida do povo assolado por uma pandemia não é grave, nesta perspectiva.

A reunião parecia mais um encontro de uma milícia criminosa, fundamentalista e de extrema direita, para definir a tática de manutenção do território. Apesar da grave pandemia da COVID-19 este tema foi apenas pontualmente comentado. Os discursos de Weintraub, Damares e Salles expressam um misto de paranóia persecutória, ódio e desmatamento, além de criminosos. Isto se aplica, em maior ou menor grau, a outros ministros. Paulo Guedes que é um mero especulador financeiro e entreguista, sabe da sua mediocridade no campo econômico. As ameaças do Heleno são os gritos golpistas dos saudosos da ditadura militar.

Quais são os possíveis motivos da interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal?

Flávio Bolsonaro é investigado por peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção; o Senador empregava milicianos no gabinete e pegava parte do salário de volta; entre outros chocolates.

O assassinato de Marielle Franco e a CPI no congresso que aponta que há um “gabinete do ódio” administrado por Eduardo e Carlos Bolsonaro. Nesse esquema é usado dinheiro público pra criar e disseminar notícias falsas.

O Estadão divulgou novas mensagens extraídas do celular de Sergio Moro que comprova que partiu de Jair Bolsonaro a decisão de intervir na PF e trocar o diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo.

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