Editorial

A escalada autoritária, as instituições e o campo progressista

Da Redação

Suplente do Senador Flavio Bolsonaro informa que o mesmo teria recebido informações privilegiadas da Polícia Federal às vésperas das eleições de 2018. A PF teria segurado a “Operação Furna da Onça”, que investiga o esquema das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro em que um dos alvos era Fabrício Queiróz, ex-assessor e figura muito próxima do clã bolsonarista. Confirmado o conteúdo da declaração, o resultado das eleições de 2018 estariam visivelmente prejudicados, dado o favorecimento explícito à candidatura presidencial de Jair Bolsonaro. A ver.

As instituições brasileiras operam em um modo em que alternam covardia em face dos arroubos autoritários/favorecimento quando a demanda nutre cunho estritamente liberal. O impechment de Bolsonaro só ganhará forma quando se tornar um fenômeno de massas, em que não restará outra solução ao Congresso Nacional senão colocá-lo em pauta. Até lá, continuaremos a assistir o show de perversidades contra os trabalhadores, sobretudo contra os mais pobres e vulneráveis, como se já não bastasse a COVID-19 que extermina centenas diariamente. O Governo Bolsonaro se reveste de um caráter de classe cada vez mais nítido na medida em que a crise avança. E essa escalada terá que ganhar contornos cada vez mais violentos para assegurar o terreno antes conquistado.

No campo progressista impera a dificuldade da construção de uma programa que dê respostas para a crise social. No máximo, o que se tem tentado costurar são pactos eleitorais que, ainda assim, restam inconclusos. Nos últimos dias, por exemplo, o Deputado Federal Marcelo Freixo desistiu da candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro fazendo um chamado à unidade do campo progressista. Como programa mínimo, conforme o parlamentar, estaria a luta contra o fascismo que ganha contornos prioritários na atual quadra da conjuntura. O estranhamento no caso se dá quando não se consegue vislumbrar quem melhor representaria essa tal unidade senão o próprio deputado do PSOL que esteve no 2° turno das eleições cariocas em 2016, angariando cerca de 40% dos votos válidos.

Como se pode notar, por outro lado, o bolsonarismo no poder pretende estender o seu domínio pela máquina pública e esta tarefa está apenas no início. Bolsonaro já teria declarado que só pretende se desamarrar do poder em 2026, ou seja, contando com uma reeleição em 22. A depender das instituições da república burguesa, o seu caminho estará livre. Notícias falsas de um lado, aliança fraternal com o “centrão” de outro, articulada à violência dos reacionários mais radicais, dispostos a defender a política presidencial supostamente até as últimas consequências. Aliados a isso, o Ministro Paulo Guedes, soldado alado do ultraliberalismo, entrega o patrimônio nacional a quem esteja disposto a pagar qualquer cruzado.

É preciso cada vez mais que nos preparemos para as cenas dos próximos capítulos. E vai chegar a hora que não bastará a tribuna, será preciso recorrer à ação.

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