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Os robôs de Bolsonaro agem no meio da pandemia

Por Caio Teixeira

A checagem de fatos, o confrontamento de histórias com dados, pesquisas e registros, o diálogo com as pessoas e a proteção dos dados pessoais se faz urgente. 

O escândalo de dados do Facebook-Cambridge Analytica que foi divulgado em grandes meios de comunicação, como El País, O Globo e UOL, envolve a coleta de informações que podem ser usadas para identificar, contactar ou localizar uma pessoa, escancarou que as plataformas das redes sociais não tem controle sobre os dados dos usuários. Após a revelação do uso desses dados em uma investigação da Channel 4 News, o Facebook pediu desculpas e admitiu que a Cambridge Analytica coletou dados de forma “inadequada” desde 2014. O Facebook permitiu que a Cambridge Analytica recolhesse dados de milhões de usuários. Ou seja, os dados pessoais estão sendo vendidos ou roubados por seja lá quem for. O que nós temos a ver com isso?

O número de pessoas que Facebook estimativas foram afetados pelo escândalo, e o país de origem.

Estamos em época de pandemia e no Brasil mais da metade dos Estados aderiu ao uso de ferramentas de geolocalização criadas pelas operadoras de telefonia ou por satartups de tecnologia para enfrentar o novo coronavírus. Falta mecanismos para regulamentar e fiscalizar o uso de dados pessoais cria insegurança jurídica para os usuários de celulares, que não querem seus dados expostos.

A ferramenta desenvolvida pela startup pernambucana In Loco foi adotada por 14 dos 27 Estados. O Estado de São Paulo usa também a plataforma oferecida pelas quatro operadoras de telefonia – Vivo, Claro, Oi e Tim. As empresas se comprometeram a disponibilizar, desde o dia 20, a tecnologia para a União, Estados e cidades com mais de 500 mil habitantes. O serviço já tinha sido oferecido ao governo federal, mas a negociação foi abortada por ordem do presidente Jair Bolsonaro.

Não custa lembrar que Trump contratou a Cambridge Analytica para para coletar os dados das pessoas e propagandear notícias falsas contra seus adversários, na eleição de 2016. Milhares de sites espalharam fake news sobre sua oponente democrata, Hillary Clinton e as consequências disso puderam ser vistas no resultado das urnas nos EUA. A mesma operação foi feita no Brasil em 2018 na eleição de Bolsonaro, pelo mesmo comandante, inclusive, o Steve Bannon.

Tem desinformação sendo criada intencionalmente através de milhões usuários das grandes redes e plataformas como o Youtube e o Twitter também, com conteúdos e perfis falsos. Com a criação das Bolhas de Filtro, que é um conjunto de logaritmos que programam as ferramentas de buscas e as timelines para só mostrarem as preferencias, assuntos e pessoas mais conhecidas, as pessoas estão sendo condicionadas à obter um pequeno espectro de informação e com problemas com o conteúdo abusivo, problemas de privacidade e censura. 

O Tribunal Superior Eleitoral anunciou em seu site no dia 21 de junho de 2018 que iria combater as notícias falsas assinando um acordo com o Facebook e Google, os grandes veículos de disseminação das notícias falsas com robôs, com tudo. 

As notícias falsas plantadas por agentes estrangeiros em diversos países se sofisticou e está utilizando robôs e inteligência artificial. Circulou no WhatsApp um Bolsocop, robô do na época candidato do PSL, Jair Bolsonaro. O “programa” transformou quem instalava o arquivo em um zumbi replicador de conteúdos automático, abrindo o Facebook das pessoas e publicando conteúdo. O The Intercept Brasil noticiou o Bolsocop em 23 de agosto de 2018. 

A era das fazendas de likes faz com que inteligência artificial engane até doutor. Todo o mundo já recebeu uma corrente no grupo da família com notícias falsas e/ou correntes. Existem robôs humanoides que criam histórias, que fazem campanha, que apoiam causas, que sensualizam no Instagram, que postam todo dia e viram Influenciadores, fenômeno viral de robôs controlando e coletando informações de humanos. O vírus evoluiu para Avatar, Troll, Bot, entre outros nomes. A fase superior do capitalismo controla o passado, o presente e o futuro. 

Uma pesquisa do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP concluiu que os boatos de 2015 como o que Lulinha era dono da Friboi ou que o PT trouxe 50 mil haitianos para votar em Dilma interferiram nas manifestações à favor do golpe de 2016.

Já sabemos que a sustentação do governo miliciano é a mentira, que existe um gabinete do ódio dentro do Palácio do Planalto e a Polícia Federal identificou o vereador Carlos Bolsonaro como articulador do esquema criminoso de fake news utilizada para atacar quem se opõe em algum grau ao bolsonarismo. Os robôs também são utilizados para apoiar causas dos bolsonaristas.

Ontem (27), os robôs bolsonaristas receberam o comando com erro ortográfico e foram parar no trending do Twitter. Uma avaliação nas redes sociais feita pela FGV mostra que robôs também ajudaram na disseminação da versão bolsonarista para a crise com Sergio Moro. Contas automatizadas replicavam a mesma argumentação que o presidente usaria em seu pronunciamento. Outro estudo da UFRJ e FespSP demonstra que 55% das publicações pró-Bolsonaro são feitas por robôs. 

Tweet da jornalista Vera Magalhães

Até quando o dinheiro público vai ser utilizado para financiar esse esquema de milícia digital?

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