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83 anos sem Gramsci

Por Camila Pizzolotto*

Hoje é aniversário de morte de Gramsci que, depois de complicações de saúde causadas pela prisão fascista, faleceu em 1937.

Gramsci é sem dúvidas o pensador que bagunçou e continua bagunçando a minha cabeça, tanto pela sua obra quanto pela sua dedicação na luta pelo socialismo. Gramsci é de onde eu parto.

Sua maior obra, os Cadernos do Cárcere, foram escritos enquanto estava preso pela polícia de Mussolini. Uma obra gigantesca, escrita sem biblioteca ou livros por perto, somente com acessos a jornais, caneta e papel. As notas fragmentadas, ora de análise histórica ora de produção conceitual, o pensador italiano formula os conceitos de hegemonia, amplia o conceito de partido, revoluciona a categoria de Estado, ampliando a análise marxista e rompendo com a falsa dualidade liberal que pressupõe a separação entre Estado e sociedade civil.

Gramsci ampliou nossa perspectiva sobre a dominação. Para ele, não há como dominar sem ter consenso, legitimidade. Não há força dominadora que não esteja profundamente fincada no solo da legitimidade. Por isso, para Gramsci, os intelectuais têm um papel fundamental: são eles que, trabalhando a favor ou contra discurso hegemônico, alinhavam o consenso.

O marxismo de Gramsci é um marxismo sensível, passa longe dos maniqueísmos e exatamente por sua complexidade foi eleito como inimigo número um dos ratos que saíram do porão da história brasileira. Não é à toa. Sabem que suas ideias complexas formuladas de maneira didática contribuem para o espírito crítico. É Gramsci que diz que todos são intelectuais em potencial.

O pensamento de Gramsci foi e continua sendo uma ameaça de primeira hora para os reacionários e golpistas, mesmo que ele tenha morrido há mais de 80 anos.

Eles o elegeram como inimigo porque entenderam a força de seu pensamento e a potência de suas palavras para a ação.

“O erro do intelectual consiste em acreditar que se possa saber sem compreender e, principalmente, sem sentir e estar apaixonado. […]; não se faz política-história sem essa paixão, isto é, sem esta conexão sentimental entre intelectuais e povo-nação”
(C 11, § 67, p. 1505/v. 1, p. 221-222)

*Camila Pizzolotto  é doutoranda em História pela UFF

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