Editorial

As mulheres são as que mais sofrem com a pandemia

Da Redação

São as famílias mais pobres e nestas, em específico, as mulheres as que mais sofrem com a pandemia da COVID-19. Pesquisas apontam que aumentou o índice de violência doméstica contra pessoas do sexo feminino. Como era esperado, embora vulnerabilidade seja generalizada, ela se agrava em determinados setores sociais.

Quatro Estados tem mais de 90% das UTIs ocupadas: Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco. Na sequência Amapá, São Paulo e Rio Grande do Sul preocupam. O corte no financiamento em saúde a partir, principalmente, da Emenda Constitucional do “Teto de Gastos” em 2016 cobra a sua fatura. No Rio de Janeiro, o Presidente da ALERJ fala em queda de 8 bilhões na arrecadação.

O Governo Federal é cronicamente incapaz de lidar com a crise. Nesta semana que se passou Bolsonaro retirou de cena o Ministro da Saúde, que era aclamado nas redes sociais. Aumentou a pressão sobre o Congresso e fez gestos ao STF. Como faz há bastante tempo, tem uma imensa capacidade de se manter na mídia e agora, também, em um eterno palanque eleitoral.

Reage milimetricamente como Donald Trump nos Estados Unidos: ora dissemina fake news, ora faz bravata, diz uma coisa que logo em seguida vai negar, confirmando novamente depois; faz comício na porta do palácio da alvorada e abraça seguidores; estimula carreatas hostis às políticas de isolamento; a política do zique-zague tem dado resultados. Para desespero das maiorias, Bolsonaro segue firme no posto mais importante do País “pintando e bordando”.

Já se sabe que os trabalhadores estão pagando pela crise. O STF derrubou a decisão monocrática de Levandowski que impedia acordo individual entre patrão e empregado sem participação do sindicato; não fossem as querelas entre Executivo e Legislativo, mais direitos sociais seriam retirados, como era o caso da “carteira de trabalho verde e amarela”. A classe trabalhadora está tendo que amargar pari passu o coronavírus e a perda de direitos.

Só há saída para a crise social que se instala pela construção de uma grande agenda de direitos sociais, que precisaria ser dirigida pelo Governo Federal.

Os outros entes federativos não têm capacidade financeira e administrativa, de modo isolado, para capitanear uma iniciativa desse tipo.

Bolsonaro sabe disso e joga com o caos, esperando, possivelmente, colher frutos em um eventual cenário de turbulência. Como as forças de segurança legais e ilegais estão mais ou menos sob seu controle sob seu controle, não há muito com o que se preocupar. A aparência de normalidade institucional foi abalada desde, pelo menos, 2016. De lá para cá, as elites políticas e econômicas estão no comando quando unificadas. Juntas derrubaram Dilma e elegeram Bolsonaro.

Conseguirão resolver “pelo alto” mais esta crise? Veremos.

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