Editorial

Bolsonaro é o responsável por regime de morte

Da Redação

No momento em que escrevemos esse editorial, são quase 1.500 pessoas mortas e 25 mil casos de contaminação pelo corona vírus no Brasil. São Paulo permanece com o maior número de casos. Fala-se em mais de 250 mil contaminados, levando em consideração a subnotificação. Na Europa o vírus dá sinais de uma menor incidência, ainda que em ritmo lento e, nos Estados Unidos, as mortes estão na casa dos milhares/dia. Os impactos nos sistema de saúde em todos os lugares, em maior ou menos grau, levaram o caos ao que já tinha problemas mais do que suficientes.

O alerta para uma crise humanitária já se vislumbrava. A escala era o que se discutia. A política tradicional respondeu ao “crash” econômico de 2008 com uma dose de ultraliberalismo na economia e na política. Solaparam os empregos e flexibilizaram direitos, levando amplas massas ao desespero, principalmente nos grandes centros. Essas e outras insuficiências contribuíram para a ascensão da direita e da extrema direita. Em contrapartida, a esquerda crente no regime da democracia liberal que se tornou hegemônica nas últimas décadas acumulou derrotas eleitorais acachapantes. Na Europa, por exemplo, a maior parte do que resta dos socialistas não são nada mais do que uma voz à esquerda do regime da democracia liberal. Esse mesmo que está sendo reduzido a pó.

A quarentena/isolamento social tende a derrubar a economia nos quatro cantos. E a OMS alerta que ainda não estamos no pico da pandemia.

No Brasil o governo Bolsonaro tenta reproduzir nos trópicos o que tem dado certo na política trumpista. Aqui, assim como lá, o constante jogo de cena para distrair a opinião pública e confundir o adversário. Bolsonaro tem uma constante atração por permanecer em cena, “falem bem ou mal mas falem de mim”. O faz-de-conta do conflito com o ministro da saúde, que engana o povo e mesmo parte da esquerda, chegando ao disparate de algumas lideranças pedirem o “#ficamandetta” nas redes sociais. A falta de senso de realidade só não é maior que o nosso assombro. Lembrando que se a popularidade de um membro do governo cresce, esse governo se fortalece. É óbvio que Bolsonaro joga com a crise. Como político tradicional que conhece como ninguém, na atualidade, o estágio da luta política.

Bolsonaro é o responsável por regime de morte. Isso precisa ficar registrado. Não há como enfrentar uma crise desse porte sem um governo que transforme o Estado na salvaguarda da sociedade, principalmente dos mais pobres. O Governo Federal fez justamente contrário: salva os bancos e coloca a culpa no povo que precisa sair de casa para conquistar o pão de cada dia.

A resistência ao governo Bolsonaro e o regime de crise que tende a se agravar em face das suas medidas e das suas não medidas passa por organizar um polo político independente que possa discutir além do tático, o estratégico. Isso reclama a disposição dos socialistas em deixarem de lado a descrença e o imobilismo rumo a ações concretas que possam dar sobrevida ao povo mas também a compreensão de que não há saídas objetivas por dentro da ordem.

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