ArtigosOpinião

Um operário e revolucionário exemplar

Por Ivan Seixas

Devanir José de Carvalho, um operário revolucionário, torneiro mecânico, trabalhador da Vilares, deu sua vida pela Classe Trabalhadora e pela Revolução brasileira. Nunca traiu sua classe, nem decepcionou seus filhos, sua companheira e seus companheiros. É um exemplo a ser seguido, que quero homenagear neste texto.

Neste dia 7 de abril do ano de 1971 o Comandante Henrique, como era conhecido Devanir no Movimento Revolucionário Tiradentes, Organização que comandava, e na Frente Armada Revolucionária, que reunia o MRT, a ALN – Ação Libertadorta Nacional, a VPR – Vanguarda Popular Revolucionária, o MR-8 -Movimento Revolucionário Oito de Outubro e o PCBR – Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, foi capturado por um bando do Esquadrão da Morte, organização criminosa chefiada pelo delegado Sérgio Fleury, que também era do DOPS – Departamento de Ordem Política e Social.

Do local da captura, rua Cruzeiro,111, no bairro do Tremembé, zona norte de São Paulo, casa de um companheiro, que Henrique foi visitar e dar orientação política, foi levado para a sede do DOPS, no Largo General Osório. Lá estavam à sua espera a fina flor da tortura brasileira, em São Paulo. Além de Fleury, o capitão Ênio Pimentel Silveira, vulgo “Doutor Nei”, assassino do DOI-CODI- São Paulo, delegado João José Vetoratto, vulgo “Capitão Amici”, e Claris Howley Halliwell, cônsul dos EUA, em São Paulo, especialista em golpes e torturas. Henrique era figura importante na estrutura da guerrilha urbana e tinha muita informação de interesse da ditadura e do imperialismo ianque. Era um Comandante.

Essas pessoas estavam lá para torturar o comandante de todas as mais importantes ações militares da guerrilha urbana, em São Paulo. Tinha em seu currículo a captura do cônsul-geral do Japão, em março de 1970, captura do Comandante do II Exército, em São Paulo, general Humberto Souza e Mello (operação ousada, mas não consumada, devido à chegada de um grupo de militares), tomada de fábricas e a montagem de uma firme estrutura de retaguarda para a guerrilha. Além disso, a ditadura sabia que ele tinha o contato direto com alguns informantes nossos infiltrados na estrutura repressiva da ditadura, tanto no DOPS, quanto no próprio DOI-CODI de São Paulo.

O Comandante Henrique chegou no prédio e foi recebido pelo temido assassino Fleury, que disse para Henrique: “Te peguei, Henrique. Vou te torturar até a morte.” Como resposta à essa ameaça, o operário-Comandante deu uma grossa cusparada misturada de sangue e catarro na cara do torturador. O grupo de assassinos começou ali mesmo o espancamento e Henrique não teve como se defender, pois estava imobilizado devido aos tiros em suas pernas.

Segundo o relato do investigador Carlos Alberto Augusto, vulgo “Carlinhos Metralha”, “Quando chegou aqui, Henrique deu uma cusparada na cara do Doutor Fleury. Não falou nem mesmo o nome dele”. Esse policial me contou isso na tentativa de me amedrontar sobre o que me esperava lá naquele lugar de torturas e extermínio.

Nosso grupo de ação do MRT – Movimento Revolucionário Tiradentes, junto com o comando da ALN-SP, organizamos às pressas a captura do presidente da FIESP, Teobaldo de Nigris, que financiava e presenciava sessões de torturas junto com Henning Boilesen, instrutor de torturas no DOI-CODI/SP. Seria uma troca um por um. A vida do presidente da FIESP, entidade patrocinadora das torturas e da perseguição aos operários de São Paulo, pela vida do Comandante de quase todas as ações contra a ditadura em São Paulo.

Quando estávamos na porta da casa do De Nigris, recebemos a informação de dentro do DOPS de que Fleury e cambada haviam assassinado Devanir “para não fazer dele um segundo Bacuri”, nas palavras do Carlinhos Metralha, numa referência ao Comandante Bacuri, Eduardo Collen Leite, torturado por longos 109 dias e assassinado dentro da Fortaleza dos Andradas, do Exército, na Baixada Santista.

As torturas ao nosso Comandante Henrique se prolongaram por quase 3 dias seguidos e no dia 7 de abril, por volta das 19 horas, Fleury, o capitão Ênio Pimentel Silveira, capitão Dalmo Lúcio Muniz Cirilo, o major Carlos Alberto Brilhante Ustra e o cônsul dos EUA em São Paulo, Claris Howley Halliwell, entre outros mercenários assassinos da ditadura militar brasileira, decidiram por executar Devanir José de Carvalho, sem que ele tivesse fornecido seu nome.

Os nomes de Devanir José de Carvalho, Comandante Henrique, operário e gênio militar, de Eduardo Collen Leite, Comandante Bacuri, e tantos outras e outros militantes da luta contra a ditadura e pela libertação da Classe Trabalhadora da exploração capitalista, sempre serão lembrados. Já essa rastaquera que assaltou o país não. Estão na lata de lixo da história.

Devanir José de Carvalho, presente!

Etiquetas
Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também

Fechar
Fechar