ColunasMaykon Santos

Como progride a COVID-19 e possíveis cenários

Por Maykon Santos*

Primeiro, ao dizer que o vírus progride em avanço geométrico, significa falar que em média a cada três dias os números são duplicados: 10, 20, 40, 60, 120, 240, 480, 960.

E também dizer que em média a cada 7 dias passamos de uma casa decimal para outra.

Da dezena para centena (de para 100). Da centena para o milhar (100 para 1000). E do milhar para dezena de milhar (1000 para 10 mil).

Temos aí 4 semanas.

Todos os países que hoje têm mais de 10 mil casos tiveram essa progressão (China, Itália, Espanha, Estados Unidos, Alemanha, Irã e França).

Ou seja, em 4 semanas passaram dos 10 mil casos. Independente de como foram suas medidas de restrição de circulação.

A taxa de mortalidade varia pelas condições de cada país. Mas hoje, dos casos fechados (curados e mortos) está em 10%.

Calcular taxa de mortalidade em cima dos casos confirmados é um erro, pois os casos em progressão podem evoluir para morte.

Na Itália, por exemplo, a taxa de mortalidade nos casos fechados está em 44%!

Dos países que têm menos de 10 mil casos, somente a Coreia do Sul conseguiu sair dessa progressão. Está com 8799 casos após 1 mês. Talvez o Reino Unido também consiga isso.

Assim, a terceira semana é fundamental. É a da casa dos mil aos 10 mil casos. Isso porque, se a progressão se confirmar nessa semana o sistema de saúde começa a colapsar e as mortes explodem (os primeiros doentes chegam na segunda semana da doença e começam a morrer).

Após os 10 mil casos o ritmo da infecção cai (ou seja, em 7 dias não se chegue aos 100 mil casos, nenhum país ficou na progressão nessa semana). Isso mostra que é quando, normalmente, as barreiras impostas ao vírus começam a surtir efeito. Seja porque ele já infectou quase todo mundo num lugar, seja porque as medidas de restrição começam a fazer efeito.

Mesmo assim, a partir da quarta semana é quando a situação fica fora do controle. O número de mortes sobe a cada dia em centenas, o sistema de saúde está em colapso e o número de casos mesmo que esteja caindo em proporção ainda é altíssimo e em termos absolutos os maiores.

Foi o que ocorreu na China. É o que ocorre na Espanha e na Itália. E a situação que EUA entrou anteontem e a Alemanha também.

O Brasil hoje entrou na terceira semana. Decisiva. Chegamos nos mil casos em duas semanas. Se nessa terceira semana as medidas de restrição não surgirem efeito e chegarmos aos 10 mil casos, o sistema de saúde estará em colapso e o número de mortes irá explodir.

Fiquemos atentos e em casa!!!!!!!”

Nos últimos dias estudei a curva de crescimento da doença em todos os países com mais de 10 mil casos e em todos com mais de 4 semanas do surto.

A partir disso, escrevi o texto acima.

*Maykon Santos é professor das redes públicas municipais de Cubatão e Santos, historiador, militante do Círculo Palmarino, do PSOL e em defesa da educação pública de qualidade.

Etiquetas
Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também

Fechar
Fechar