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Tarifa zero é possível

Por Leonel Camasão*

Imagine sair às ruas e poder pegar um ônibus sem ter que pagar nada por ele. No fim do mês, poder utilizar o valor economizado pra outras necessidades. Em todo o mundo, já são 86 cidades, em 24 países, que não cobram tarifa para que a população acesse o transporte público.

No Brasil, 12 cidades também já adotam o modelo. Maricá, no litoral do Rio de Janeiro, é a maior delas. Lá, o sucesso do projeto é atestado pelo intenso uso do transporte coletivo na cidade. Em Agudos, no interior de São Paulo, as pessoas também podem andar de ônibus gratuitos, operados pela prefeitura.

A tarifa é um elemento que limita profundamente o acesso dos usuários ao serviço de transporte coletivo. Para que o transporte tenha tarifa zero, o mais comum e viável é realizar uma reforma tributária municipal, que faça com que as pessoas mais ricas colaborem mais. É uma decisão política e econômica, que envolve priorizar no orçamento o transporte como direito.

Os impactos da tarifa zero na cidade vão muito além da simples isenção da passagem. Melhora em muito a qualidade de vida. As pessoas podem ter acesso à cultura e ao lazer, porque podem se deslocar. Melhora a saúde da população, porque há menos poluição causada pelo transporte individual. Melhora a mobilidade, pois o ônibus passa a ser atrativo em relação a outros meios de transporte. As cidades que acabaram com a cobrança de tarifa ainda conseguem atrair empresas, que são menos oneradas com os custos do vale-transporte.

Para tornar a tarifa zero realidade, é preciso quebrar o monopólio que, durante décadas, toma conta do setor, e disputar cada centavo do orçamento municipal para que o serviço possa ser subsidiado. Toda a sociedade ganhará com a implantação da Tarifa Zero. Os únicos que perdem são os empresários de ônibus e os políticos ligados a esse esquema.

*Leonel Camasão é Mestre em Jornalismo pela UFSC.

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