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Pela vida de todas as mulheres, por democracia e contra a retirada de direitos!

Por Juliana Drumond*

Ontem, 08 de março, dia internacional das mulheres, data que tem origem na luta das mulheres trabalhadoras por direitos, é para nós um dia de luta.

A luta das mulheres na atual conjuntura tem grandes e importantes motes; em defesa da vida das mulheres, contra o feminicídio, em defesa da democracia… Mas é no dia a dia, na experiência nos territórios que esses motes ganham sentido. As mulheres vivem suas lutas diariamente, uma luta marcada por grande cansaço, péssima condições de trabalho e muitas vezes uma grande solidão. E quando olhamos para realidade das mulheres a partir de um recorte de classe e raça essas lutas se acirram.

Pensar uma alternativa de cidade que amenize as problemáticas do “ser mulher” numa sociedade machista significa pensar políticas públicas para que as mulheres vivenciem uma experiência de cidade que combate às desigualdades.

Uma proposta de cidade inclusiva e igualitária garante às mulheres acesso a direitos básicos como a um Sistema Público de Saúde de qualidade, educação pública e laica, segurança pública integral em defesa de suas vidas a partir de uma perspectiva da transversalidade, à moradia e ao espaço público.

Em São João de Meriti, município com a maior densidade demográfica da Baixada Fluminense, cidade onde apenas 13,5% da população tem registro formal de trabalho, as mulheres são 52,5% da população. Essas mais de 200 mil mulheres, em sua maioria negra, contam com pouquíssimos aparelhos públicos disponíveis no município para viver melhor. Por exemplo, para as quase 30 mil crianças na faixa etária de 0 a 4 ano existem disponíveis 10 creches públicas.

Na Câmara Municipal todas as 21 vagas do legislativo são ocupadas por homens. Essas mulheres chefes de família, trabalhadoras, têm que lidar diariamente com uma rotina extensa de trabalho, longos períodos no transporte público e a experiência num território marcado pela violência. Da ausência de creches e escolas para deixar seus filhos, passando pela ausência de apoio psicológico, até os altos índices de violência contra a mulher. Não tem sido fácil a vida em um cotidiano marcado pelo genocídio da juventude negra.

As mulheres de São João têm lidado no seu dia a dia com o encarceramento e extermínio de seus filhos, sobrinhos e netos. E isso vem sendo naturalizado. Mas qual seria o papel do poder público para uma mudança positiva nessa realidade? Marielle Franco, quando então vereadora no Rio de Janeiro, apresentou Projetos de Leis (PLs) voltados para a realidade das mulheres, como por exemplo, a Leis das Casas de Parto e do Espaço Coruja.

Talíria Petrone, hoje deputada federal, quando vereadora apresentou PLs que tratam dos direitos das mulheres, buscavam a obrigatoriedade do ensino de noções básicas sobre a Lei Maria da Penha nas escolas da rede pública municipal, prioridade nas vagas das creches para os filhos das vítimas de violência doméstica, dentre outros.

Esse compromisso com a realidade das mulheres nos territórios não só pode como deve ser assumido por todos os representantes do poder público, o que obviamente inclui os homens. Entretanto, a ampliação da participação das mulheres nos espaços de decisão e de governo é um grande passo que precisamos avançar para a construção de um território que busca a erradicação da pobreza e o fim das desigualdades.

Pela atuação das mulheres passa a construção de um projeto de cidade que combate a opressão e a exploração. Nesse 8M, o ideal seria o descanso e o afeto para todos às mulheres. O descanso tem sido difícil. Estamos tomadas pela luta pelas nossas vidas, contra as diversas formas de nos interromperem e nos silenciarem. O afeto, estamos sentindo no termômetro das ruas, das lutas. Em defesa da vida de todas nós em nossas especificidades – afinal, somos diversas -, da democracia e do nosso bem viver nos territórios, seguimos juntas.

*Juliana Drumond é mãe, professora, historiadora, dirigente sindical. Militante do PSOL dialogando construções de uma alternativa à esquerda para São João de Meriti.

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