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A batalha entre os três poderes e o nosso lado na briga

Por Alê Costa*

É importante registrar que o governo Bolsonaro e o Congresso liderado por Maia e Alcolumbre têm os mesmos interesses: a agenda de Paulo Guedes.

E a agenda de Paulo Guedes é a mesma da mídia corporativa e do imperialismo. O STF chancela quase tudo desde o impeachment.

Portanto, entre tais segmentos, embora existam contradições, não há grandes diferenças. Todos, por exemplo, foram favoráveis à Reforma da Previdência e a retirada de direitos sociais de todas as espécies.

Mas o que talvez os setores menos ultraliberais não conseguiram acompanhar é que o bolsonarismo tem uma trilha própria. Bolsonaro precisa manter a sua base coesa. Por isso o diversionismo cotidiano, as lives, as fake news, as declarações criminosas supostamente engraçadas, etc.

Bolsonaro faz política cotidianamente. Por isso o assombro de muita gente. Tem gente que faz política nas horas vagas. Bolsonaro vive disso há mais de 30 anos: mesmo nos quartéis, quando jovem, essa já era a sua batalha principal, a política.

Se Bolsonaro, o congresso e o STF querem brigar, o lado da esquerda é o lado da briga. As nossas pautas são outras, as nossas mobilizações são outras: dia 08 de março (dia internacional de luta das mulheres), dia 14 (dois anos do assasssinato de Marielle) e o dia dia 18 (grande ato nacional em defesa da educação e contra a retirada de direitos).

Não há, em si, problema em um poder convocar o povo para se mobilizar contra outro poder. Acaso fossemos nós no executivo, não recorreríamos ao povo contra um congresso conservador e antipovo e um STF covarde? O que é diferente aqui é que Bolsonaro e os outros poderes são essencialmente a mesma coisa.

A questão aqui é: Bolsonaro, Maia, Alcolumbre e Dias Toffoli são todos farinha do mesmo saco e serão, mais cedo ou mais tarde, varridos para a lata de lixo da história.

Todos os poderes da República passearam por sobre os escombros da Constituição de 1988. O que existe com mais ênfase na atualidade é a aparência de legalidade e suposta normalidade institucional. Mas tudo isso acabou. Se a gente ainda não entendeu isso, nós estamos com muita dificuldade. O que deve ocorrer é o aprofundamento do golpe que está em curso devido as contradições no andar de cima.

E no andar de cima Bolsonaro e sua corja sabem que precisam jogar com os acordos mas também com a pressão. Sabem que se ficarem refém apenas dos acordos, o governo será derrubado. Como disse, Bolsonaro é político.

A nossa briga contra esses caras passa pela nossa organização, pela nossa formação e mobilização do povo. Passa por construir um programa que precisa ser martelado nas eleições 2020, que será um processo marcado pela intensidade das notícias falsas, crimes eleitorais e vista grossa por parte da justiça. Não nos esqueçamos que tudo que está ruim pode mesmo piorar.

É um pé nas redes sociais mas também nas reuniões de organização, nas formações e nas ruas. A saída contra a barbárie é a construção do socialismo.

*Alê Costa é escritor e filósofo

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