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Uma revolução de muitos rostos

Por Maykon Santos*

Noite de sábado nos EUA, uma filipina-americana, Zenei Cortez (a da direita na foto), presidenta do sindicato das enfermeiras do estado, fala em tagalo no discurso de vitória de Sanders em Nevada.

O tagalo é a quarta língua mais falada nos EUA (atrás do inglês, espanhol e mandarim). Apenas a campanha do Sanders tem comunicação no idioma.

O discurso na língua tinha uma dupla simbologia: tirar da invisibilidade essa imensidão de pessoas como também agradecer ao voto em massa da comunidade filipina em Sanders.

Em Nevada Sanders simplesmente atropelou. Levou até aqui 13 dos 16 delegados já eleitos no estado.

O resultado foi que mesmo com alguns indignados, ninguém nos EUA hoje pode ignorar a real chance de Sanders ser o candidato democrata e ser eleito presidente dos EUA.

Na primeira terça de março teremos a chamada super-terça, na qual o jogo realmente ficará mais nítido, com a eleição de 1/3 dos delegados da primária.

E o cenário só melhora para Sanders, pois Bloomberg entrará na disputa, rachando os votos de Biden. Como também seu apoio junto aos afro-americanos tem subido cada vez mais.

Os afro-americanos e os de mais idade são os dois grandes entraves da campanha de Sanders. Um deles parece que deixará de sê-lo.

Hoje Sanders é o único candidato que lidera ou disputa a liderança em todos os estados da super terça, estando em primeiro no Texas e na Califórnia.

Além disso, uma verdadeira tsunami de apoiadores de Sanders foi vista concretamente em Nevada, resultando na vitória estrondosa.

Dois jornalistas do NYT, Jenifer Medina e Astead W. Herndon, assim descreveram a mesma:
“Pelo menos por um dia, em um estado, a revolução política de Sanders, prometida há tempos, adquiriu existência vívida em uma coalizão de imigrantes, universitários, mães latinas, jovens negros, progressistas brancos e até mesmo alguns moderados que abraçaram sua ideia de mudança radical e levaram-no à vitória nas assembleias de Nevada no sábado”. (Tradução de Idelber Avelar)

É essa revolução que já levou 1,5 milhão de americanos doarem para Sanders uma fortuna equivalente a U$ 27 milhões de dólares. Algo em torno de R$ 110 milhões de reais.

Ela se baseia em um programa robusto que desloca para a esquerda o que até aqui se fazia nos EUA com a promessa de um novo New Deal, saúde pública e também mudanças na política externa.

Ontem, por exemplo, Sanders anunciou que não iria na maior conferência de lobby pró-Israel nos EUA: a AIPAC.

É ela que desestrutura a base do stablishment democrata. E é só ela que pode levar a derrota de Trump.

Ainda vemos no Brasil alguns desavisados ou mal intencionados dizerem que Sanders é o pior candidato para derrotar Trump entre os democratas.

Embora nenhuma pesquisa americana indique isso, pelo contrário.

Mas lá no país do Tio Sam cada vez menos americanos acreditam nisso.

Como diz a campanha de Sanders: for us (por nós)!

*Maykon Santos é professor das redes públicas municipais de Cubatão e Santos, historiador, militante do Círculo Palmarino, do PSOL e em defesa da educação pública de qualidade.

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