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Algumas ideias a partir do episódio de Sobral

Por Matheus Lima

Tenho visto uma parcela da esquerda defender a “greve” dos policiais com base num argumento que no limite se resume a “se há greve, sou a favor”. Considero muito equivocada essa posição. O fato de defendermos o direito de greve não significa que necessariamente devemos apoiar todas as greves.

E, pra não haver confusões, o nosso parâmetro não é a legalidade. Às vezes é preciso ir contra a lei pra se fazer justiça. Por outro lado, quebrar a lei não é necessariamente progressivo. Há muita coisa dentro do Estado que é conquista nossa.

O que deve nos balizar é o sentido da greve no contexto em que ela ocorre.
Dentro de um processo como essa “greve” há uma complexidade de fatores, muitos contraditórios, mas há uma preponderância. Nesse caso, está claro que o seu sentido acumula forças para a extrema direita.

Se é que podemos chamar o movimento de greve. Talvez o mais correto seja motim. E também tenho ouvido e lido que muitas revoltas e revoluções começaram como motins. Sim, é verdade. Mas daí decorre que devemos ser a favor de todo motim? Claro que não.

De novo, o que importa é o sentido. Não se trata de uma cisão armada de parcela da polícia que se soma às lutas populares e às forças progressistas.

Pelo contrário, é um movimento cujo sentido maior reforça o processo de fasticização de parte da sociedade que ocorre de modo mais avançado entre os militares, em especial nas polícias.

Combater o “neo fascismo” deve ser nossa prioridade, nesta conjuntura são eles os inimigos centrais. E nessa luta cabem aliados variados, muitos dos quais serão nossos inimigos se a situação melhorar.

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