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A Nós

Por Ademar Bogo*

O texto a seguir foi retirado das Cartas de Amor, que faz parte das importantes publicações do Setor de Formação Nacional do MST e publicado em julho de 2007.

Carta de Amor Nº 135
A NÓS

Não se arrependa por um dia ter ido às ruas com a bandeira do PT, nem se com a de outro partido tiver acaso ido! Estavas fazendo o que na época a ti fazia sentido.

Pode chorar se estiver amargurado! Na política também tivemos duas décadas perdidas! Mas o que terias feito de tua vida, se não tivesses militado? Hoje estás frustrado, ou frustrada? Melhor assim, do que se não tivesses feito nada!

Os ricos sempre lhes dirão que não valeu a pena! A eles interessa a cena e não a peça inteira! Mas nós, como as cachoeiras, sabemos que temos passado, e futuro! Não pára o tempo porque ficou escuro, nem tampouco porque se fez besteiras.

Levante a cabeça, enxugue o pranto! Seja como os pássaros que não mudam o seu canto, porque o mantém sempre afinado! Nem os mortos se sentem derrotados, porque vivem nas entrelinhas dos valores! Aprenda a ser forte como as flores, que seguram o jardim sempre perfumado!

Não fique em casa com a bandeira enrolada! Você ainda tem uma longa estrada, para andar de braços dados com alguém! Lute e se sentirá bem! Jamais se esqueça que a revolução, é um sentimento que toma uma nação, para buscar se libertar também.

Lembre do Paulo e do Florestan. Do Lamarca, Marighella e que as manhãs, sempre são
novas porque não são iguais. Os tempos nos tornam imortais! A vida põe as provas e as barreiras! Jogue seu desânimo na lixeira! Você merece muito mais!

Ninguém pode desfazer o que está feito. Há coisas destruídas que não tem mais jeito, mas nem por isso o mundo acabou! Agarre-se na esperança que restou! Imponha seu olhar para o horizonte! Descontraia a rigidez da fronte! O século apenas começou!

Há tanta história ainda por ser feita! Tantos plantios, tantas colheitas, que não haverá um dia de descanso! Jogue fora este enojado ranço, que lhe amargura o sentimento!

Purifique seu espírito com o vento! Os recuos às vezes são avanços! Não lastime a má fadada sorte! É hora de mostrar que somos fortes e que vamos reverter a nostalgia! Não permita que a omissão e a covardia imponham suas vontades! Você não perdeu nem a metade, da certeza que mantinha na utopia!

Diga a si e a quem puder ouvir! Que nós não vamos desistir nem entregar os pontos! Logo estaremos nos confrontos e reanimando todas as disputas! Diremos o que sentimos com as lutas!

Este jogo vai ser ganho nos descontos! Leia bastante, histórias e biografias! Há tantos exemplos de belas rebeldias, que fazem arrepiar o corpo inteiro! Abrace as companheiras e os companheiros! Sinta o pulsar de cada coração! Não há coisa melhor do que a união, para cruzar pântanos e atoleiros!

Não se deixe amedrontar por nada! As árvores também sentem quando são podadas, mas logo se refazem ainda mais bonitas. A história de quem acredita, nunca é deixada pelo meio! Você precisa ser o esteio, ou a onda do mar que se agita!

Acredite na dignidade! Nos valores e na solidariedade! Nas idéias que aos poucos conscientiza! Considere que esta fria brisa é incômoda, mas é passageira! Creia que a burguesia inteira, não merece lamber o chão que você pisa.

Ânimo! Coragem! A tormenta está quase passando! Aceite a tarefa que o poeta está lhe dando, apresentada com palavras mansas. O passado ficará como lembranças, mas não esqueça de soletrar de vez em quando! E por mais difícil que pareça: “Você tem que assumir o comando!”

*Ademar Bogo é doutor em filosofia, possui trabalhos publicados no Brasil e no exterior. Tem experiência nos seguintes temas: teoria social, filosofia da cultura, filosofia da linguagem, filosofia do Direito, o pensamento de Karl Marx, ética, questão agrária, educação do campo, Mística, Movimentos sociais do campo; métodos de trabalho, métodos de pesquisa, teoria da organização política. É agricultor e poeta.

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