Editorial

The Intercept e a importância de uma imprensa de esquerda

Da Redação

O portal The Intercept Brasil ficou no olho do furacão, após seu fundador o jornalista Glenn Greenwald ser denunciado pelo MPF no bojo da operação Spoffing, que investiga os vazamentos telefônicos do ex-juiz Sérgio Moro e membros da Lava jato de Curitiba; amplamente divulgado nas manchetes como caso da Vaza Jato. Como havia uma decisão do STF que proibia investigações contra Glenn, a denúncia recebeu críticas de figuras públicas dos três poderes, e se mostrou uma clara tentativa de intimidação de Glenn e da equipe do Intercept.

Para nós, do VOZ DA RESISTÊNCIA, não há dúvida de que houve um claro ataque à liberdade de imprensa. Entendemos que a solidariedade a Glenn e ao Intercept, por parte da esquerda, deve ser irrestrita. Sendo necessário colocar freios em setores da extrema direita que utilizam a estrutura de órgãos públicos como espaço para calar vozes dissonantes. Entretanto, nossa solidariedade não deve ignorar o debate sobre o papel que o veículo cumpre e seus limites enquanto órgão de imprensa de caráter “progressista”. Tal veículo, como já foi revelado por seu fundador, recebe patrocínio de milionários. Infere-se, então, que o mesmo se amolda aos interesses de seus financiadores.

Esse perfil editorial progressista mostrou seus limites no artigo publicado na última quarta-feira. O artigo intitulado “Elogiar Ditadores é a melhor maneira de a esquerda continuar perdendo” traz algumas suposições sobre a derrota da esquerda na atual conjuntura.

Para além do conteúdo do texto, cabe destacar um registro: a forma descontextualizada como foi pinçada a suposta citação de Jones Manoel (inicialmente citado erroneamente). Em tempos tão sombrios, os autores poderiam ser mais cautelosos ao expor a posição do Youtuber militante do PCB.

De todo modo, independente da qualidade, o artigo expõe os limites do Intercept. Permitir uma publicação que compreenda Lênin como um simplório ditador está no script. A rigor, o jornal “não mente para ninguém”. O que causou certo espanto foi a reação da própria esquerda. Num tom de decepção, muita gente repercutiu o artigo como um ponto fora da curva. Mas não é.

Parece “chover no molhado”, mas a esquerda brasileira tem urgência de veículos de informação que expressem a sua visão de mundo. A esquerda não pode terceirizar a defesa pública de seu programa para o povo brasileiro.

Embora entendamos que devemos aproveitar os espaços da imprensa burguesa para expor suas posições, isso é insuficiente.

É inconcebível que o PT mesmo tendo ocupado por 13 anos o governo federal, uma série de governos estaduais e inúmeros mandatos parlamentares, não tenha se esforçado para criar um veículo de referência nacional. Algo nos moldes da PÁGINA 12, porta voz do Peronismo na Argentina.

Saudamos iniciativas como o Brasil 247, Revista Fórum, a TVT, Brasil de Fato, entre outros. Embora caiba salientar que tais iniciativas se mostraram insuficientes para combater a narrativa do golpe. Então, de que valeu os milhões injetados na Record ou na Globo?

A verdade é que na “Hora H” não serão os veículos progressista/descolados como The Intercept que apresentarão ao povo, e a parte da classe média, os interesses estratégicos que devem ser defendidos.

Nosso Portal, ainda com alcance limitado, não vai abrir mão de se apresentar para a sociedade como um veículo de comunicação de esquerda, que procura interpretar os fatos do ponto de vista popular. Essa é a nossa missão.









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