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A educação pública e os professores como inimigos: a verdadeira balbúrdia

Por Maykon Santos*

Quando em 2016 Bolsonaro se tornou catalisador do conservadorismo que tinha nas universidades públicas, principalmente de Ciências Humanas, e nos professores, com o movimento Escola Sem Partido e a ideologia de gênero, seus inimigos o efeito devastador que isso poderia ter era vislumbrado por poucos.

Passados alguns anos, com o golpe que possibilitou a eleição do capitão e um ano de seu governo, o estrago hoje é inegável.

Sisu suspenso pela justiça federal, diversas universidades suspendendo a divulgação dos aprovados (destaque para Unifesp, UFSC e UFPA), retirada da autônomo das universidades na seleção de bolsas de pesquisa, restrição na circulação de professores e pesquisadores para fora do estado, proposta de voucher na Educação Básica, Plano Nacional de Alfabetização que ignorou décadas de acúmulo na área, a política esboçada para o próximo PNLD, o Future-se e Escolas Militares (política que reverbera até mesmo em gestões do PT como na Bahia).

Ainda temos a incerteza quanto ao Fundeb, cuja válidade nos marcos atuais acaba em 31 de dezembro de 2020 e o governo e a fala atual do governo é enviar uma nova PEC, ignorando o projeto em construção no legislativo.

Como se vê, não faltam exemplos da política destrutiva do atual governo na educação. As declarações espafalhatosas de Weintraub e Bolsonaro são uma cortina de fumaça das ações desastrosas na pasta.

Assim, é imprescindível combater o MEC Bolsonaro como se combate o próprio governo. E todos e todas que estão na escola pública são os principais sujeitos desse combate! É do chão de escola que deve vir a principal artilharia contra esse governo. Para tal, devemos lutar no fortalecimento dos laços sociais da comunidade escolar, democratizá-las, fortalecer seu financiamento e alçar ao primeiro plano da política nacional seus quadros que tem surgido desde as maiores manifestações contra o governo Bolsonaro em 2019!

*Maykon Santos é professor das redes públicas municipais de Cubatão e Santos, historiador, militante do Círculo Palmarino e do PSOL e em defesa da educação pública de qualidade.

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