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Entra em cena a “Geringonça” espanhola

Por Gustavo Miranda*

O resultado eleitoral espanhol manteve a esquerda na dianteira, apesar da diminuição da vantagem se considerarmos o último pleito. Por uma pequena vantagem, e depois de meses de apreensão sobre o perfil de governo que assumiria na Espanha, o PSOE manteve sua hegemonia.

Assim, Pedro Sanches, escolhido Primeiro Ministro, ficou com caminho livre para dar início na Espanha ao mesmo tipo de concertação que em Portugal une Partido Socialista e Bloco de Esquerda, e que, pouco a pouco, reverte as políticas neoliberais alinhadas a Troika. Em Portugal essa coalizão ganhou o apelido de geringonça.

Este resultado consolidou o cenário de que há um núcleo duro da esquerda radical representada no Bloco Unidas Podemos. Ou seja, houve de fato um deslocamento político, fruto da crise econômica de 2008 e seus efeitos na Espanha. Esse deslocamento, inclusive, também refletiu a adequação do PSOE ao neoliberalismo nos anos 1990 e 2000.

O fato é que mesmo menor, se comparado a outros recentes pleitos, o bloco eleitoral Unidas Podemos, foi o fiel da balança para a consolidação de um governo progressista.

O resultado também indicou uma tendência: o crescimento vertiginoso da extrema direita, representada no VOX. O partido que recentemente, convocou uma manifestação em defesa da Espanha, que cujo mapa inclui Portugal.

Cada vez mais a questão nacional ganha uma audiência que a muito não se via, e encontra terreno fértil num país marcado pela intensa imigração e por uma crise econômica ainda não solucionada. Este será um desafio e tanto para o bloco progressista espanhol.

Pablo Iglesias, liderança do Podemos, e agora Vice Ministro fez um discurso forte afirmando que parte significativa da pauta do Podemos será a pauta desse “Novo Estado Espanhol”. Com destaque para a revogação de trechos da reforma trabalhista de 2012, que na sua essência desregulamentava o mundo do trabalho espanhol.

Mais moderado, Sanches, fez a inflexões necessárias para atender a esquerda radical sem colocar em questão o apoio de parte da elite espanhola como austeridade econômica.

A pequena margem que garante a condução de Sanches a condição de Primeiro Ministro é o primeiro grande desafio do governo. Até porque boa parte da plataforma de esquerda e progressista passa por leis que terão o parlamento o principal espaço de disputa.

Sem dúvida a condução da questão catalã estará sempre como um elemento definidor da capacidade da aliança progressista governo. Até porque a franca oposição da esquerda catalã ao bloco PSOE e Unidas Podemos significará a perda da maioria para aprovar as reformas.

A primeira etapa de retomada de Estado espanhol voltado para os interesses da população foi concluída. Falta agora uma longa batalha por efetivar a pauta politica que levou ao mandato do bloco progressista PSOE e UNIDAS PODEMOS, que inclui derrotar a unidade de neoliberais com a extrema direita.

*Gustavo Miranda é professor e coordenador-geral do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (SEPE).

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