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Resenha sobre o filme “Foi em Maio”

Por Caio Teixeira

Estou retomando agora a sessão dentro da minha coluna no Voz da Resistência: Cinema e Resistência. Vou escrever sobre mais filmes.

O filme Foi em Maio (1970), começa com cenas fortes da tomada de Berlim pelas tropas soviéticas na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Logo após a rendição das tropas alemãs, um grupo de militares soviéticos é alojado em uma zona rural, uma pequena vila alemã que parece que não houve guerra. Essa imagem vai sendo desconstruída quando os militares do Exército Vermelho encontram um grande campo de concentração e são confrontados com os rastros das práticas nazistas.

O filme é da União Soviética (URSS), utiliza as línguas russa e alemã, tem 115 minutos de duração, preto e branco e seu título é Byl mesyats may (It Was the Month of May). É dirigido por Marlen Khutsiev, roteiro de Grigory Baklanov.

Com Aleksandr Azhilovsky, Pyotr Todorovskiy, Sergey Shakurov. A obra é uma profunda reflexão de Khutsiev sobre a Segunda Guerra Mundial, sobre os crimes contra a humanidade.

O filme oferece um retrato do Nazismo – entre um espaço aparentemente tranquilo está um grande campo de concentração. O começo do filme incorpora cenas da Guerra em sua narrativa fictícia, Khutsiev provoca um desconforto sobre a amnésia histórica. O início do filme causa horror com aviões lançando bombas, soldados atirando, prédios em ruínas e explosões.

Mas o grande horror aparece mais tar-
de, uma hora depois, com a localização do campo de concentração. Depois da introdução ameaça-
dora, vem uma trégua, a guerra acabou e os soldados relaxam e ficam obcecados pela mulher alemã que os hospeda na fazenda.

Considero que a obra alcança seu objetivo apresentando uma grande reflexão sobre as consequências do Nazismo. Depois de toda a Guerra, um campo de concentração ainda está de pé, vazio, abandonado mas as marcas da racionalidade aplicada ao assassinato em massa pode ser vista nas cenas do filme.

Devemos considerar ainda, que Khutsiev se preocupou em dar visibilidade para a consternação dos seu personagens, e pouco depois, alguns presos do campo de concentração ainda tentam encontrar seus parentes. Essas cenas são muito tocantes.

A sensibilização causada pelo filme é fantástica. A dialética estabelecida pelas imagens da Guerra e a ficção reforça a atenção que o filme quis chamar para as barbáries daquele tempo. Foi em Maio é um dos maiores filmes de guerra que já vi.


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