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A Aliança Pelo Brasil será o teste final do bolsonarismo

Por Guilherme Luiz Weiler*

O presidente Jair Bolsonaro anunciou no dia 12/11, pela sua página no Facebook que está enfim – depois de muita polêmica e troca de tiro (embora não do jeito que ele goste) – deixando o Partido Social Liberal (PSL) para criar um partido novo, do zero. Como todo autoritário, nosso presidente não aguentou não poder mandar em tudo no partido que escolheu para disputar as eleições de 2018.

Apesar dos argumentos do bolsonarismo de que o PSL estava podre, ou que Luciano Bivar e seus aliados tramavam ao presidente, ou qualquer teoria conspiratória que ainda viesse, o fato é que os Bolsonaro pai e filhos não conseguiam controlar as finanças e a direção do PSL, e que o presidente estava cada vez mais acuado dentro do partido. E isso precisa ser exclamado. Não é pelo puritanismo que o bolsonarismo está abandonando o PSL. Ouso dizer que é justamente o contrário.

A Aliança Pelo Brasil (APB) será o partido de Bolsonaro. Dessa vez, Jair sai do aluguel e vai pra casa própria. Não precisará, em tese, brigar com ninguém pelos rumos do partido. E terá a ciência de que cada um que entrar nesse partido, o fará por alinhamento total com a ideologia de ultra-direita do ex-deputado.

A pergunta que fica, no entanto, é: o que esperar do novo partido do bolsonarismo? A menos de um ano das eleições de 2020, o partido ficará elegível a tempo de fazer prefeitos e vereadores pelo país? Porque há de se concordar que com as atuais regras e condições burocráticas, não é tão simples assim criar um novo partido no nosso país. E quem o tentou em torno de um projeto e um nome grande à frente, como Marina Silva na época da Rede Sustentabilidade, não o fez tão rápido. Marina, em 2014, precisou se filiar ao PSB para disputar as eleições já que o Rede não ficara pronto a tempo. O que cria condições para que Bolsonaro consiga criar um partido em tempo hábil? A sua condição de presidente da república pode ajudar? Em tempo, a cereja do bolo: todas as campanhas de filiação ao PSL promovidas pela família Bolsonaro e apoiadores do presidente não só foram em vão como também irão prejudicar no processo da criação do novo partido, já que para assinar a criação de um novo partido o eleitor não poderá estar filiado a partido algum.

Para além da dúvida quanto à capacidade ou não da formalização do novo partido, há de se questionar o tamanho da capilaridade da APB. Até sua criação oficial, ainda que seja no próximo ano, como estará a avaliação do presidente Jair Bolsonaro? Crescerá agora que Luís Inácio voltou ao jogo, deixando a prisão, dando mais munição ao discurso bolsonarista? Diminuirá após a aprovação da reforma da previdência e eventuais outras medidas antipopulares como a taxação da pobreza anunciada na nova campanha de emprego aos jovens? Os 30% que se mostraram o potencial setor bolsonarista da sociedade conseguirá se manter?

O teste final do bolsonarismo está dado. Se Bolsonaro, família e apoiadores conseguirem consolidar na Aliança Pelo Brasil uma força da ultra-direita na sociedade brasileira, a nossa nação já sofre mais um grande revés. Mas se, pior, conseguirem consolidar nessa Aliança um projeto de poder que consiga levar ao poder uma onda de bolsonaristas nas eleições municipais, sabe Deus qual será o rumo do Brasil até 2022.

*Guilherme Luiz Weiler é secretário de formação do PSOL em Joinville/SC e foi coordenador-geral do Diretório Acadêmico Nove de Março (DANMA) em 2018.

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