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Espanha em estado de alerta contra a extrema direita

Por Gustavo Miranda*

Nesse final de semana o mundo acompanhou estarrecido o golpe de estado militar-pentecostal que obrigou Evo Morales a renunciar seu mandato de dirigente máximo do Estado boliviano. Lá o script foi o mesmo, a direita se aliando aos setores militares e abrindo mão do jogo democrático.

Devido a dramaticidade da conjuntura boliviana acabou ficando em segundo plano o resultado das eleições espanholas. Mas seu resultado deve merecer nossa atenção.

Mais uma vez o Partido Socialista Operário Espanhol, representante da histórica social democracia, conseguiu o maior número de cadeiras no parlamento. Entretanto ficou longe de conseguir as 176 cadeiras necessárias para formar um governo de maioria “puro sangue”. A rigor perdeu 3 cadeiras frente as 123 que havia conquistado no início do ano. A grande vitoriosa nas eleições acabou sendo o partido de extrema direita do VOX, que saltou de 24 para 54 cadeiras. A clássica direita, o PP, também obteve significativo crescimento.

O resultado eleitoral frustrou, portanto, as intenções de Pedro Sanches, líder do PSOE, que projetava uma transferência de votos de parte da direita para seu partido e a desidratação do bloco UNIDAS PODEMOS. Se isso de fato acontecesse, o PSOE governaria absoluto.

O PODEMOS permaneceu vivo e não restou outra alternativa a SANCHES senão construir uma coalisão de governo com a representação dos “indignados”.

O Unidas Podemos já havia proposto desde o começo do ano essa coalisão. No entanto, fiel a seu programa, o PODEMOS não abria mão da garantia da reestruturação do estado social, de medidas concretas contra a uberização da força de trabalho e intervenção em setores da economia muito sensíveis ao bem estar da população como o preço dos alugueis. A participação no governo era também um dos pleitos. E a disputa por ministérios ficou explícita.

Sanches avaliou ser tal pauta radical demais e optou por levar a Espanha a novas eleições. Com isso prestou um desserviço a defesa dos interesses da população espanhola.

A extrema direita fortalecida agora surge como alternativa para a classe trabalhadora espanhola para saída da crise com sua pauta xenófoba, de mais retirada de direitos, guerra hibrida e luta antissistêmica contra corrupção e a política.

É possível que a lição tenha sido aprendida pelos sociais democratas espanhóis. A saída sem rupturas proposta por esses setores jogam a classe trabalhadora no colo da extrema direita, e nesse sentido a UNIDAS PODEMOS e a esquerda Catalã devem ser mais que componentes de uma coalisão de governo. Devem compor um bloco antifascista , e no governo, mexer com a estrutura social da Espanha devolvendo a esperança ao povo de que é possível uma sociedade mais justa e igualitária. Esse é o antídoto do fascismo!

O protocolo de intenções acordado nessa terça entre o PSOE e a UNIDAS PODEMOS deverá expressar as expectativa dos indignados que se sublevaram na Espanha nessa última década.
Derrotar o fascismo e a extrema direita é a tarefa principal do novo período que se abre na Espanha.

*Gustavo Miranda é professor e coordenador-geral do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (SEPE).

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