Editorial

Reinaugurada em 2009 em Honduras, onda de golpes arrasta a Bolívia para o epicentro de mais uma crise

Da Redação

O golpe de Estado na Bolívia em 10 de novembro de 2019 não está dissociada da vaga golpista reinaugurada na América Latina em 2009 em Honduras, que destituiu o Presidente eleito Manuel Zelaya e instalou no Governo a oposição. Naquela oportunidade os golpistas contaram com o apoio das forças armadas, das classes médias, da cúpula da Igreja Católica e com o Departamento de Estado norte-americano.

O roteiro não é novo muito menos desconhecido. Durante a Guerra Fria, a América Latina era palco de golpes militares sanguinários com características similares às atuais.

Não é demais relembrar que tentativa de golpe já havia assolado o Presidente Hugo Chávez na Venezuela em 2002. Rapidamente, o povo rechaçou o golpe nas ruas. E, por falar em Venezuela, eis a resistência das mais formidáveis dos últimos tempos: são 20 anos de tentativa de desmobilização do regime democrático local.

Na Argentina milhares de manifestantes foram até a embaixada da Bolívia se manifestar contra o golpe

Mas na Bolívia o governo de Evo Morales, ex-sindicalista de origem indígena, parecia também dar sinais de resistência frente às iniciativas golpistas. Foram 13 anos de gestão, desenvolvimento econômico acima da média dos países vizinhos e melhoria significativa em todos os índices sociais. Uma nova Constituição em 2016 e eleições periódicas. Há poucos dias novas eleições de vitória de Morales ainda no primeiro turno.

Evo apresentou uma renúncia, talvez, para prevenir o golpe de Estado e pacificar o País. Há dúvidas quanto ao segundo intento, já que o golpe prossegue com a perseguição aos militantes e lideranças do MAS (Movimento ao Socialismo). Mais uma vez, estão associados as classes altas e médias locais, políticos direitistas, a polícia, militares e tudo indica que há um dedo do governo brasileiro além da mão dos Estados Unidos.

Ao que parece, ao menos na América Latina, o capitalismo se dissociou completamente da democracia, se é que algum dia foram próximos.

Honduras, Paraguai e Brasil. As agressões foram muitas contra Rafael Correa no Equador e o próprio Morales em diversos momentos. Cuba resiste há 60 anos sem descanso. Venezuela e Nicarágua seguem firmes também. Mas os intuitos golpistas permanecem.

Não há espaço para conciliação. Tais setores não querem ou já não podem mais conciliar. Disputam eleições. Quando perdem, desestabilizam. Se maioria no Congresso, destituem como fizeram com Fernando Lugo e Dilma Rousseff. Sem apoio institucional, optam pela violência nas ruas como na Nicarágua e na Venezuela. Se não contam com maioria congressual, optam pelo apoio dos militares, como na Bolívia.

Resta-nos a solidariedade irrestrita ao povo boliviano e latinoamericano. Que façamos de cada espaço de atuação uma forma de resistência organizada.

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