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Mulheres em movimento

Por Vitória Genuíno*

Esse final de semana (19-20), em São Paulo, aconteceu o primeiro encontro Estadual das Mulheres Sem Teto. Um espaço que reuniu durante dois dias cerca de 600 mulheres do movimento, tendo como um dos objetivos construir uma política de atuação unificada.

As mulheres protagonizam a construção do dia a dia das ocupações, em grande parte, nos espaços de liderança e nas coordenações. Portanto, o fazer político com recorte de gênero sempre se fez presente, desde o nascimento do MTST, há 22 anos.

Mas pela primeira vez houve o compartilhamento dessas vivências com intuito de planejar estratégias e pensar novos rumos de atuação coletiva.

Esse primeiro espaço de potência aconteceu em São Paulo, mas será reproduzido em todos os estados onde o movimento está presente, compreendendo a importância do acúmulo das experiências através das especificidades dos territórios e regiões. Que se desdobrarão em em um grande encontro nacional, reunindo todas as resoluções.

As mulheres sem teto já sabem que a luta não se faz apenas no chão de barro, mas também dentro dos espaços institucionais. Hoje, temos a co-deputada estadual da mandata das Juntas, Jo Cavalcanti, como um exemplo concreto dessa atuação política. Uma mulher, negra, sem-teto, ambulante que saiu das trincheiras e barricadas das ruas para dar voz real a todas essas pautas na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Agora queremos mais! Ampliar essas atuações e ter representatividade de quem não apenas tem “a cara” do movimento, mas compartilha do mesmo projeto político de sociedade do MTST.

Toda essa organização e agitação, além de firmar rumos comuns, possui o objetivo de construir um Movimento de Mulheres que transcenda as ocupantes ou quem já constrói o movimento em seus diversos espaços organizativos e pautar um ambiente aberto para todas que se identificam com a nossa atuação e histórico de luta.

Trazer os princípios gerais de um movimento social por moradia como o MTST para o movimento de mulheres, é construir uma forma de enfrentamento ao sistema patriarcal: com radicalidade, unidade e a política que historicamente nos guia.

A experiência de mulheres será reproduzida em diversos outros espaços como o de juventude, da luta antiracista e pelos direitos da população LGBTQI+.

Chegou a hora de construir novos espaços de luta dentro da esquerda através das/os milhares de sem teto desse país. Para derrotar a investida da ultradireita do governo Bolsonaro, o grande capital, pelo poder popular e bem viver de toda a população, o convite está lançado: quem não pode com a formiga, não assanha o formigueiro!!!!

*Vitória Genuíno é diretora de Movimentos Sociais da UNE e da coordenação nacional do MTST.

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