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O Chile é a experiência máxima do liberalismo na América Latina

Por Maykon Santos*

Flexibilização das leis trabalhistas (o estado não tem que se intrometer na relação patrão/ empregado).

Saúde, educação e aposentadoria públicos são muito caros.

Para mantê-los o estado tem que cobrar muito imposto, será ineficiente e a produtividade cairá.

Melhor privatizar tudo, não cobrar os impostos e as mãos invisíveis do estado trarão a riqueza para todos terem esses serviços.
No Chile, por exemplo, a carga tributária é de cerca de 20%. No Brasil, 37%. A média da OCDE é de 36%.

Sabem aquela frase dos Ancap: “imposto é roubo”. Então, para eles o Chile não é assaltado como o Brasil, Alemanha, França, Japão ou EUA (todos com carga tributária maior).

Faltou combinar com a realidade.

A jornada lá é de 45 horas semanais (maior do que no Brasil). O salário mínimo hoje é cerca de R$ 1.250,00 num país no qual cerca de 25% do salário do trabalhador vai para a contribuição obrigatória de saúde e previdência, aja vista que o empregador não paga nada.

As férias são de 15 dias.

E metade dos trabalhadores recebem menos do que um salário mínimo, pois é possível negociar contratos de trabalho sem a exigência do pagamento do salário mínimo.

Hoje somente 17% dos chilenos tem plano de saúde.

74% são ligados a rede pública. Que não é pública. 7% do seu salário é descontado, obrigatoriamente, para custear o sistema. Mais a coparticipação.

60% dos aposentados recebem menos do que um salário mínimo.

Os estudantes que entram em financiamento para pagar a faculdade demoram em média 15 anos para pagar o mesmo.

Agora, para o mercado o Chile tem a oitava melhor previdência pública do mundo.

No geral, o Chile é elogiado pelos especialistas como modelo a ser seguido pelo mundo.

Bolsonaro, por exemplo, fez sua primeira visita internacional ao Chile.

Vemos mais um descompasso entre o sistema político e o cidadão comum.

Sexta passada o Chile entrou no noticiário pela onda de protestos que assola o país.

Mas é bom frisar que protestos massivos contra esse sistema descrito acima ocorre há anos.

Agora ganharam maior dimensão!

*Maykon Santos é professor das redes públicas municipais de Cubatão e Santos, historiador, militante do Círculo Palmarino e do PSOL e em defesa da educação pública de qualidade.

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