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Está na hora de Moacir Pereira se aposentar

Por Leonel Camasão*

O principal comentarista de política do grupo NSC, Moacir Pereira, sofre de uma imensa necessidade de se aposentar. Não apenas por já ter completado a idade necessária – aos 74 anos, Moacir já possui o tempo de serviço necessário. Também não há motivo para preocupações. Apesar de sua defesa canina a proposta de Bolsonaro, ele não será afetado pela nefasta Reforma da Previdência.

O que torna a aposentadoria de Moacir tão necessária e urgente é a defesa de si próprio. A cada segundo que Moacir digita um texto, faz um comentário no rádio ou na televisão, ele assassina a sua própria memória. É difícil acreditar que ele já foi professor de Ética no curso de Jornalismo da UFSC ou presidente do Sindicato dos Jornalistas.

Por motivos que desconheço, Moacir Pereira – que nunca esteve perto de ser alguém de esquerda – decidiu radicalizar seus espaços de opinião nos últimos cinco anos. Guinou à extrema-direita, parou de verificar as informações que publicava, passou a fazer afirmações tão contundentes quanto mentirosas, espalhou Fake News de Whatsapp em colunas de jornal, e principalmente, passou a destilar o mais velho e porco discurso de ódio contra as esquerdas. Raramente ouve alguém deste espectro político antes de falar o que quer que seja.

Dizem que o rancor é um copo de veneno que você bebe, pensando que é o outro a virar o copo. Talvez seja disso que se alimente o “colunismo político” de Moacir, reduzido a um panfleto propagandista da extrema-direita, travestido de “apartidário”. Aliás, esta era a mesma tática de movimentos como “Vem Pra Rua” e MBL: iniciaram com um discurso anti-política, para tempos depois, se elegerem pelos partidos da extrema-direita.

Sua cruzada contra a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) seja a que talvez mais conflite com sua própria história. Para Moacir, um político que visita a universidade em apoio à greve dos estudantes é a prova da contaminação “político-partidária” do movimento. Mas o mesmo Moacir não pensa assim quando deputados do PSL vão à mesma universidade rasgar cartazes. Ou seja: só é político-partidário quem apoia a greve. Quem não apoia, é isento.

Essa mudança pode parecer pequena, mas na verdade, muda a chave de interpretação do discurso: ao invés de termos duas posições concorrentes, temos uma posição “certa” e outra “errada”. Isso que fazes, meu caro Moacir, nada mais é do que a boa e velha propaganda política. Tal como Bolsonaro, aquilo que você denuncia é exatamente aquilo que você faz, sem a menor vergonha na cara.

A cada dia que Moacir permanece na ativa, ele próprio joga uma pá de terra na cova de sua memória. O antigo e respeitado Moacir desaparecerá. Ficará apenas mais um colunista parcial, raivoso, enviesado, que será exemplo nas escolas de imprensa de como não fazer jornalismo de opinião.

*Leonel Camasão é Mestre em Jornalismo pela UFSC e concorreu ao governo de Santa Catarina em 2018 pelo PSOL.

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2 Comentários

  1. Moacir sempre foi calhorda e “encomendado”. A diferença é que estamos em tempos que os fascistas se sentem a vontade para saírem dos seus armários. Ficaram na moita , como covardes, para mostrar suas verdadeiras caras na hora mais oportuna.

  2. Meu companheiro Camasão, vou creditar a sua juventude e educação, quando vc diz que Moacir Pereira vai ficar na história, como o exemplo de jornalista que não se deve ser. Moacir Pereira é e sempre foi um oportunista. Na época da ditadura “conseguiu” uma vaga no TC, local que nunca trabalhou, só recebia salário. E, não vai se aposentar, nem sofrer as maledicências dessa Reforma porque já tem 74 anos e tempo de aposentadoria, ele já é aposentado pelo TC, repito, onde nunca colocou os pés, para trabalhar. Sempre foi funcionário fantasma, com alto salário. Ele não piorou, sempre foi o mesmo, agora, como muitos, está mais à vontade e se sentindo impune. O que é preciso? É preciso mostrar para ele que a impunidade não existe e desacreditá-lo em todos os espaços. Inclusive negando-lhe qualquer informação. Afronta-lo. Ninguém é indestrutível, apesar dele achar que é. Um abraço e parabéns.
    Regina Soares, militante da esquerda e dirigente do PT de Florianópolis.

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