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As migalhas de afeto e o autoritarismo

Por Caio Teixeira

As relações humanas e de trabalho mudaram de fato. Temos o nosso Big Brother, o personagem fictício do romance 1984 de George Orwell, que se tornou real e pode ser Mark Zuckerberg ou outros  donos das grandes empresas de tecnologia.

O trabalhador que também é consumidor está vigiado e tem a ilusão de autonomia e de exclusividade.

Cada usuário das redes sociais está na sua bolha vigiada e recebe migalhas de afeto através das curtidas, ainda paga esse uso com a entrega dos seus dados. Não existe nada de graça, aqueles termos e condições que você concordou (sem ler) é o seu pagamento para as empresas que se tornaram as mais ricas do mundo graças aos dados coletados dos usuários. Se é de “graça”, o produto é você.

O trabalhador está dormindo menos, está mais conectado (estão coletando os dados dele), comprando mais, com mais disponibilidade para o consumo e suas necessidades estão industrializadas. Há grande confusão entre o privado e o profissional, trabalho e consumo, tudo isso devido ao grande grau de conectividade, de estar online o tempo todo.

O Facebook conta com 2,27 bilhões de usuários ativos, o Youtube com 1,900 milhões e o WhatsApp com 1.500 milhões, é o que revela a pesquisa “Global Digital 2019”. As empresas mais ricas são as de tecnologia – Google, Facebook, Amazon, Tesla e outras. Dados já superaram o petróleo em valor. Essas empresas estão explorando os recursos das pessoas.

Está nítido que as redes sociais estão diretamente ligadas com a ascensão de governos autoritários. Estão usando a política do ódio, do medo e as mentiras nessas redes para manipulação das massas. Olhem para o Brasil! Um idiota da extrema direita foi eleito nesse esquema. Sabemos que o WhatsApp que faz parte do Facebook, foi o grande meio na divulgação de notícias falsas por aqui.

Ou seja, os usuários das redes sociais trocam seus dados pessoais, que depois são usados contra eles, por aquela curtida que conforta o ego. Até o escândalo da Cambridge Analytica/Facebook, as grandes empresas de tecnologia eram as boas que conectavam o mundo. Só que as perguntas começaram a incomodar.

Cadê meus dados?!

Quem coletou?!

Quem usou?!

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