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Exame toxicológico para Ana Campagnolo e Jessé Lopes

Por Leonel Camasão*

Auto-construídos na base de polêmicas e do ódio, os deputados estaduais Ana Campagnolo e Jessé Lopes, do PSL, fabricaram uma “cruzada” anti-drogas nas escolas. Ela apresentou projeto para exigir exame toxicológico aos professores da rede estadual. Ele, quer que os aprovados no vestibular  façam o mesmo. Quem não passar seria excluído da carreira ou do acesso à universidade. A pergunta que fica no ar é: Ana Campagnolo e Jessé Lopes passariam num exame toxicológico?

O histórico do Twitter de Ana indica que não. Em abril de 2019, a deputada de discurso moralista ganhou projeção nacional quando postagens antigas de seu twitter – onde ela afirmava gostar muito de maconha – foram reveladas a público. Ela deletou a conta na rede social, comportamento típico de quem é culpado.

Os projetos fazem parte de uma campanha ideológica moralista, falsa e inescrupulosa, que juntam o falso discurso de “epidemia de drogas” no Brasil com o ataque calculado e direcionado aos professores e às universidades. No mundo paralelo das Fake News de Whatsapp, a universidade e as escolas são um local de drogadição, doutrinação e “conversão gay” dos alunos, e por isso, precisam ser destruídos. 

A dupla Ana e Jessé não devem ter lido os resultados da maior pesquisa sobre drogas já feita no país – porque o governo Bolsonaro censurou seus resultados. Como a realidade contradiz o discurso, censuraram a pesquisa, como vem sendo feito em várias outras áreas do governo. O estudo mostra que apenas 0,9% da população usou crack alguma vez na vida, 0,3% fez uso no último ano e apenas 0,1% nos últimos 30 dias. A maconha, droga ilícita mais consumida no país, foi usada por apenas 1,5% dos brasileiros.

Tenho algumas sugestões para a dupla de deputados: porque não propõe exame toxicológico regular aos quadros da Polícia Civil e Militar? É notório que os agentes de segurança pública estão em grande nível de estresse mental. Além de ser a Polícia que mais mata no mundo, hoje, mais policiais morrem por suicídio no país do que em serviço. Foram 104 suicídios no país em 2018 contra 87 policiais mortos em serviço. 

Inúmeros casos de policiais envolvidos com o tráfico, com corrupção ou ainda com as milícias justificam muito mais este tipo de medida do que a perseguição de professores e alunos. Mas eu entendo que Campagnolo e Jessé não queiram mexer com as milícias. Elas são perigosas: já mataram diversos políticos no RJ, entre eles, Marielle Franco. Também há fortes indícios de proximidade com o clã que governa o país neste momento. Seria perigoso demais, não é mesmo?

*Leonel Camasão é Mestre em Jornalismo pela UFSC e foi o candidato a governador de SC pelo PSOL em 2018.

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