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O falso moralismo é a tábua de salvação dos pilantras

Da Redação

O curioso é o seguinte: o político pilantra está em apuros e procura um bode expiatório ao alcance das mãos para galgar alguma popularidade. É o caso, recente, do Prefeito do Rio de Janeiro, Bispo Marcelo Crivella. Afundado numa impopularidade galopante, tendo se salvado de um impeachment graças a distribuição tresloucada de cargos públicos, secretarias municipais e favores diversos, Crivella se voltou contra a inofensiva Bienal do Rio, exposição e venda de livros que ocorre há anos na capital fluminense.

A desastrada ação desta sexta-feira(06) visava, segundo ele, “defender a família”, logo repelida por uma medida liminar deferida pelo Tribuna de Justiça do Rio de janeiro impedindo o prefeito de apreender livros ou cassar o alvará do evento. De acordo com o Bispo, num dos livros voltados para o público infantil havia um “beijo gay” que, em seu entendimento, caracterizaria “pornografia”.

Seria absurdo se essa ação não contivesse um conteúdo, na verdade, nitidamente político. Como é relativamente comum em política, o mandatário cujo infortúnio eleitoral se aproxima tenta de tudo para se manter em evidência. É o caso do ultra-impopular Marcelo Crivella, Bispo da Igreja Universal eleito sob a égide do anti-comunismo que assolou parcela da classe média carioca nos últimos anos.

A regra para tais setores é a seguinte: contra uma suposta ameaça comunista que paira sobre o Brasil e o mundo, deposita-se o voto em qualquer coisa que aparece pela frente e, como ninguém é bôbo, ali estava o perseverante e então Senador Marcelo Crivella para surfar nesta onda. Qualquer semelhança quanto aos motivos que elegeram o desconhecido ex-juiz federal para o governo do Estado e um inexpressivo deputado federal e velhaco na política para Presidente, todos devidamente travestidos como representantes da “nova política”, não é mera coincidência.

Em se tratando de Marcelo Crivella, o fundamental é que nesta semana, por exemplo, informações na mídia deram conta que os seus pimpolhos estariam por ai a fazer o uso dos carros oficiais do município, o que não deveria ser permitido a eles. Ademais, pode-se atribuir a cota da bárbarie da gestão municipal a crise na saúde, na educação, as dezenas de mortes em face das chuvas, dos empreendimentos irregulares, etc. etc.

Não há índice negativo que Crivella não tenha contribuído com a sua política falida. Entretanto, logo ele ganha a mídia e das redes com algum ataque contra o inofensivo carnaval carioca e, agora, obviamente, contra a Bienal, supostamente em defesa da família, esta mesma que ele assiste (ou desassiste?) nas filas dos hospitais, atrás de um emprego, vítimas dos constantes tiroteios, do caótico trânsito ou à procura de uma vaga de qualidade em uma creche.

Amanhã ou depois encontrará alguma atividade cultural para ganhar novamente outro holofote, mais uma vez, em “defesa da família”. A tábua de salvação dos safados é a polêmica da moral e dos bons costumes, o que eles mesmos nunca observam para si e para seus próximos mas querem cobrar com juros e correção monetária dos outros. O objetivo disso tudo, todo mundo sabe, é mascarar a catástrofe da gestão pública.

Numa hora dessas não há como não recorrer a velha máxima de Adriano Imperador: “Que Deus perdoe essas pessoas ruins!”

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