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A eleição acabou, Bolsonaro

Por Guilherme Luiz*

Alguém precisa avisar o presidente que já vamos a dez meses que a campanha presidencial acabou: é hora de governar para o país inteiro.

Há alguns dias, o presidente Jair Bolsonaro sugeriu que a imprensa ainda estava o difamando, ainda que a eleição já tivesse acabado e ele, Johnny Bravo (sic), Jair Bolsonaro, havia ‘ganhado, p*rra’!

É um discurso fácil e feito para que a sua base – aqueles 30% que consideram o governo bom, e que ainda são fieis bolsonaristas – renove o discurso que agride diariamente a imprensa que divulga todo dia novos fatos incômodos, e por vezes criminosos, sobre Bolsonaro e sua base aliada: o de que a imprensa ainda não superou sua vitória.

Não é, na prática, o que acontece. Aliás, é justamente o oposto.

No Piauí, ontem (14), Bolsonaro discursou a uma plateia de apoiadores – como faria um ainda candidato – dizendo que “(…) nós vamos acabar com o cocô no Brasil. O cocô é essa raça de corrupto e comunista, Nas próximas eleições, nós vamos varrer essa turma vermelha do Brasil. Já que na Venezuela está bom, vamos mandar essa cambada para lá. Quem quiser um pouquinho mais para o norte, vai até Cuba”. Um discurso que acena com a intolerância que tem pregado desde ainda antes de ser candidato, mas que em nada vai de encontro com um discurso minimamente conciliador ou republicano de quem ocupa o posto máximo de uma nação.

Espanta, além do destempero e despreparo do presidente-candidato, sua eterna fixação por discursos completamente escatológicos, que vão do golden shower à regulação do cocô. Não é, entretanto, como se o país não tivesse assuntos bem mais importantes a serem discutidos. Enquanto faz discursos que lhe concedam montagens com os oclinhos de sol e a palavra “mito”, a educação sofre duros cortes, fluminenses são mortos nas mãos de seu governador, agrotóxicos são aprovados diariamente, a Amazônia é mais desmatada do que nunca, indígenas são mortos por mineradores e milhões de brasileiras e brasileiros perdem direitos através de pacotes criminosos que são aprovados no Congresso nacional.

Também enquanto continua governando por redes sociais e discursos fáceis, escândalos de nepotismo – como a absurda indicação de seu filho Eduardo à embaixada norte-americana -, corrupção – com parentes sendo contratados pela família Bolsonaro e sequer aparecendo pra trabalhar, além das candidaturas-laranja – e indícios de um sério relacionamento com a milícia assolam o noticiário – que, para o presidente, está ‘jogando contra seu governo’.

Entenda de uma vez, Bolsonaro: você ganhou, “p*rra”! Mas o Brasil só está perdendo – e continuará perdendo até você deixar de lado essa infantilidade toda e começar a governar minimamente como o que se espera de um presidente da república, com seriedade e preocupação com todos os brasileiros, e não só querendo agradar os 30% que ainda lhe aplaudem.

A eleição acabou, Bolsonaro.

*Guilherme Luiz é ex-presidente do Diretório Acadêmico Nove de Março (DANMA), da Udesc, e atualmente é secretário de formação do PSOL em Joinville/SC.

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