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Eleições internas Petistas

Da Redação

O mês de agosto promete ser bastante agitado dentro do Partido dos Trabalhadores. Em meio a batalha contra a Reforma da Previdência, já no segundo turno, o partido se prepara para o seu sétimo congresso. No Rio de Janeiro se iniciaram as movimentações para a eleição da nova direção do Diretório Estadual e diretórios municipais.

Atento aos rumos do Partido dos Trabalhadores o Portal Voz da Resistência entrevista Izabel Costa, candidata a presidência municipal do PT na cidade do Rio de Janeiro.

Voz da Resistência: Primeiramente, o que te faz concorrer à presidência do PT do Rio de Janeiro?

Izabel Costa: Em primeiro lugar porque acredito na vitalidade e na combatividade da militância petista, demonstrada em greves, mobilizações sociais e eleições. Também porque acredito no PT como principal referência política dos trabalhadores e das trabalhadoras brasileiras. E que seus militantes desejam corrigir os rumos do partido no Rio, incoerentes com a trajetória de um projeto socialista, militante e democrático.

Além disso, como professora e sindicalista, no momento atual dramático da conjuntura brasileira, assinalado pela criminalização dos movimentos sociais, do fazer política e por questionamentos aos partidos políticos, considero fundamental que as direções partidárias expressem vivamente estes movimentos que estão nas ruas e em luta.

No caso do Rio de Janeiro, fortemente marcado pelas lutas feministas, da juventude e da educação, uma presidência ocupada por uma mulher, militante da educação pública do estado, é um peso de renovação para o PT. E um aceno claro do compromisso com o seu programa histórico.

Voz da Resistência: Qual a sua avaliação dos primeiros meses do governo Bolsonaro?

Izabel Costa: Os primeiros meses do governo Bolsonaro expressam exatamente o que as esquerdas já denunciavam no ano passado: o seu programa político-econômico expressa um retrocesso histórico em um país cujo principal e mais grave problema é a desigualdade em todos os níveis da vida cotidiana. Assim sendo, é um projeto de destruição do que arduamente os trabalhadores e trabalhadoras conquistaram durante um século em nosso país.

É um golpe em curso que, desde 2015, com o impeachment da presidenta Dilma e a prisão política de Lula em 2018, pretende implementar um padrão de desenvolvimento do capitalismo no Brasil ultraliberal, entreguista, com total flexibilização, precarização e perda de direitos. E vai mais além, pretende impor uma agenda reacionária no que se refere às liberdades fundamentais e à diversidade. Um modus operandi baseado no medo, nas concepções genocidas e na intimidação. Um governo autoritário que despreza a democracia.

Voz da Resistência: Quais são as principais críticas à atual direção do partido?

Izabel Costa: O PT do estado do Rio de Janeiro viveu uma década de profunda experiência com as alianças com o campo conservador, especialmente com o PMDB. Não sou contra alianças político-partidárias, elas são fundamentais para a estruturação de um governo, mas o campo político ao qual integro é favorável a construções programáticas, com um projeto de governo e uma identidade política minimamente comum. E não foi isso o que aconteceu.

O Rio é a expressão mais dramática de que a linha política da direção majoritária do PT está esgotada. E, portanto, a sua direção deve ser modificada. Além de outros elementos da conjuntura como o antipetismo, ela também foi a responsável pela perda do protagonismo do partido na cidade, expresso vivamente nas últimas eleições de 2016 e 2018. E levou o PT a uma posição de subalternidade à lógica de agremiações marcadas pelo mandonismo, fisiologismo e clientelismo, contaminando o partido com o mesmo mal em várias situações locais.

A conciliação de classes rebaixou o programa e os objetivos estratégicos do partido aqui no RJ. E como não poderia deixar de ser, enfraqueceu o seu enraizamento junto aos movimentos populares e dos trabalhadores. Esvaziou também a vida partidária do PT, apesar de combativos vereadores e deputados, apesar das iniciativas de luta e de organicidade de diversos petistas e do próprio petismo social que jamais aceitariam o atual rumo do PT caso suas instâncias partidárias estivessem em pleno funcionamento.

Dessa forma, reconquistar o PT; dirigi-lo com uma política acertada, é uma tarefa urgente para todos aqueles que definem o Partido dos Trabalhadores como a mais importante experiência histórica dos trabalhadores brasileiros e da América Latina, e que, por isso mesmo, a sua derrota será uma derrota do conjunto das esquerdas. O golpe de 2016 demonstrou esta sentença. A revitalização do PT é urgente e necessária para colaborar com a alteração do atual quadro político brasileiro.

Voz da Resistência: Quais os principais desafios do PT na capital?

Izabel Costa: Na capital, os principais desafios são:
Fortalecer e enraizar, conferindo um caráter de massas à campanha Lula Livre, pois a reversão do atual cenário político brasileiro também passa pela libertação de Lula e os significados daí advindos. Neste sentido, é fundamental uma equipe dirigente petista que dialogue incansavelmente com os partidos, frentes e fóruns sobre a importância deste enfrentamento.

Organizar os milhares de homens e mulheres, militantes e simpatizantes que têm referência em Lula e no PT nas instâncias de base do partido, retomando o funcionamento regular das instâncias dirigentes de forma democrática. Retomar o protagonismo político na cidade e o diálogo com a população na intervenção nos movimentos sociais, no diálogo com os partidos de esquerda e progressistas e nas frentes de luta. Retomar o contato enquanto partido com os movimentos sociais diversos e plurais da cidade do Rio, produzindo políticas para os mesmos, participando ativamente dos seus fóruns e ações, organizando o combate às políticas dos governos Bolsonaro, Crivella e Witzel.

Colaborar para a formação política dos militantes sociais no processo de balanço das experiências de governo e de poder das esquerdas mas também na construção do socialismo democrático no século XXI. Atuar em unidade política-social-eleitoral numa frente de esquerda na luta contra o projeto de barbárie social que se instala no Rio e no país.

Voz da Resistência: Você acredita que a esquerda possa ser vitoriosa nas eleições em 2020?

Izabel Costa: A cidade do Rio de Janeiro carece de um projeto alternativo, que semeie esperança e tolerância. Vive o medo construído e o real. Vive a perda do território e da visão de que o Estado deve ser o promotor de políticas públicas e bens sociais. Os cariocas experimentam diversas formas de privatização da vida em sociedade. Dessa forma, há um vácuo político, que a esquerda deve ocupar para que tenha chance de vitória numa eleição muito difícil como a de 2020 contra máquinas poderosas. Nesse sentido, se a esquerda for capaz de apresentar um programa de transformação e de dialogar com os diversos territórios da cidade, tendo como prioridade as ações políticas voltadas para as periferias, oprimidos, trabalhadores, enfim os mais desfavorecidos, pode se conformar numa alternativa concreta de poder para a população do Rio.

Voz da Resistência: Qual a sua posição sobre uma chapa de unidade de esquerda nas eleições em 2020?

Izabel Costa: Eu e o campo ao qual pertenço, “Por um PT militante, socialista e democrático”, apostamos há algum tempo na necessidade de construção no Rio de Janeiro de uma Frente de Esquerda. E acreditamos que esse seja o sentimento da militância petista e do petismo social. Uma frente unitária cuja experiência já dá os seus primeiros passos nos movimentos sociais, como as frentes Brasil Popular e a Povo Sem Medo. Uma frente que deve ultrapassar a unidade eleitoral e ser capaz de construir um programa estratégico que apresente uma alternativa para a sociedade. Nos últimos anos, algumas possibilidades foram desperdiçadas. Diante do avanço das direitas e da sua agenda de retrocessos e de destruição de direitos, as esquerdas na cidade não podem se dar ao luxo de marchar desunidas. Assim espero que 2020 seja o início desse grande momento e que, depois de décadas, reconduza as esquerdas para a prefeitura do Rio, se tornando um laboratório exitoso da unidade tão requerida e tão necessária para trazer alternativas e esperanças para o povo carioca.

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Um Comentário

  1. Eu apoio à Prof Izabel Costa para presidente do diretorio municipal do.PT do Rio de Janeiro porque ela tem compromisso com as lutas sociais e pretende resgatar o PT para uma política combativa socialista democrática militante e de esquerda

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