Editorial

Todos contra o bloco Bozo-Moro

Da Redação

O título que introduz estes parágrafos reflete muito mais um chamado do que uma constatação de uma ofensiva contra o atual governo. 

Em primeiro lugar, como aludimos aqui no site em um texto anterior, o Governo ainda está em lua de mel com a sua base social. Não há nenhum cisma que possa preocupar a cúpula. Os militares foram embolsados, a mídia segue satisfeita com a aprovação na Câmara da reforma da previdência e Bolsonaro corre o país inaugurando quebra molas, assistindo jogo de futebol e sendo aclamado por plateias escolhidas a dedo. Não fosse a sua própria fanfarronice e dos filhos aloprados, Bolsonaro estaria nesse momento nadando de braçadas. Mas nem tudo é perfeito.

Em segundo lugar, a já antiga Operação Lava Jato mais parece uma sala invadida pela esquadrilha da fumaça. Procuradores chefiados por Juízes e palestrantes pagos por palestras aos acusados, conforme revelam os diálogos divulgados pelo site The Intercept. Nos últimos dias, por exemplo, foram presos os “hackers de Araraquara”, numa operação cercada de mistérios, informações sigilosas e reveladas gota a gota pela mídia hegemônica. Eis a verdadeira e densa cortina de fumaça.  Depois de ter tirado alguns dias de férias  (leia-se viajado aos Estados Unidos para aconselhamento), o ex-juiz Sergio Moro retornou a todo vapor. Mas o resumo aqui é o seguinte: quem apostava na renúncia ou na demissão de Moro terá que esperar por mais alguns episódios. A direita se perfilou em sua defesa, a mídia hegemônica cerrou fileiras e centenas foram às ruas de verde amarelo para defender o indefensável. Portanto, para a desgraça do país, o governo segue firme em seu propósitos públicos e privados.

Poderíamos nestas parcas linhas tecer considerações sobre as diversas frações burguesas em movimento, todas elas, diga-se, com suas próprias táticas. Mas, em síntese, não há crise política suficiente que possa colocá-las numa marcha mais perceptível. Seguem como “fogo de monturo”. As frações burguesas estão realizadas e contempladas neste governo, em maior ou menor grau.

Por fim, o campo oposicionista, embora resistente e numeroso, dadas as condições, segue sem uma estratégia objetiva.  É por ela que devemos dedicar as nossas melhores energias, sem se descuidar das participações ativas nas táticas de enfrentamento que nos impõe a conjuntura. 

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