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Quanto vale ou é por quilo? e a sociedade do espetáculo

Por Caio Teixeira

Começo agora uma sessão dentro da minha coluna no Voz da Resistência: Cinema e Resistência. Vou escrever sobre filmes e tentar relacionar com a conjuntura, sempre tentando colocar o link para facilitar.

O filme de hoje é “Quanto vale ou é por quilo?” e se relaciona com a sociedade do espetáculo.

Guy Debord escreveu o livro “A Sociedade do Espetáculo” em 1967, fazendo uma grande crítica à sociedade de consumo, à cultura da imagem e à economia capitalista.

Para Debord, a imagem está mediando as relações sociais, as representações imediatas ganham autonomia e transformam as pessoas em espectadores, tirando assim, sua capacidade de intervenção histórica. Ou seja, as imagens passam a moldar as relações humanas sem a mínima crítica em relação a isso.

Na sociedade do espetáculo, o cemitério vira um espetáculo, se torna um local de turismo, uma mercadoria. O cinema se rende à velocidade do corte e aos filmes de herói, mercadoria. As ações humanas são estruturadas por uma interpretação anterior das imagens que chegam a mente do espectador como fatos, sempre se tornando mercadoria.

Ou seja, a sociedade do espetáculo exalta a imagem – onde as relações humanas comportam-se como mercadoria.

A teoria de Debord pode ser vista no filme “Quanto vale ou é por quilo?”. O filme faz uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelas ONGs que fazem uma solidariedade de fachada através do marketing social.

No filme o antigo capitão do mato se torna matador de aluguel. A arte imita a vida ou a vida imita a arte?

Quanto vale ou é por quilo?
Direção: Sergio Bianchi
País: Brasil
Ano: 2005

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