Opinião

Algumas observações sobre a direita e a nossa estratégia

Da Redação

As conversações travadas entre o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da Operação Lava Jato comprovam o caráter reacionário desta organização. Sim, a Lava Jato atuou como uma organização política com objetivos claros: prender Lula, desmoralizar a esquerda e entregar as eleições para a direita.

Articulada dentro do departamento de Estado dos Estados Unidos com a participação de lacaios locais e internacionais, aquela operação tem outro objetivo escuso: destruir o que resta do Estado brasileiro, entregando as riquezas nacionais e preparando o assalto definitivo às estatais. Nesse passo não se furtarão a eliminar direitos sociais e criar novos tipos penais para encarcerar em massa.

No limite, a obstrução política dos adversários e o assassinato. A organização Lava Jato operou como um partido político e, desde então, tem sido o mais bem sucedido deles, porque usou a carapaça do judiciário, manobrou dentro da ordem jurídica e alçou seus líderes a condição de popstars políticos.

Uma característica interessante desse novo setor que chegou ao governo é a capacidade de unidade tática: menos de três meses atrás a família Bolsonaro comemorava nas redes a derrubada de uma indicação de Moro dentro do Governo; hoje, cerram fileiras em defesa do ex-juiz, inundam as redes com notícias falsas, impulsionam manifestações caricaturais em defesa do Ministro da Justiça. A direita brasileira não topa perder um milímetro de terreno: a cada investida contra os seus líderes eles dobram a aposta. Isso demonstra também a força desse campo.

O Governo Bolsonaro tende a ser um governo duradouro porque os seus líderes possuem uma boa capacidade de se equilibrar na corda bamba. Esses mesmos líderes colocaram os militares no bolso, mantém o “centrão” na coleira e deram um verdadeiro “canto de carroceria” na direita tradicional, casos de PMDB e PSDB. Jogam com o ego do judiciário, num misto de morde e assopra. Importante frisar que esse setor está na política há décadas, embora boa parte da faceta pública parecer gente nova.

O mundo da atual direita no poder seria perfeito se não existisse a boa e velha luta de classes. Mas se não tivermos uma corrente política de oposição com estratégia e táticas para levar a luta política às últimas consequências, eles viverão no céu de brigadeiro por um bom tempo.

A luta parlamentar é importante; as eleições são sempre importantes; mas uma estratégia de tomada do poder não pode ser deixada de lado sob pena da derrota se aprofundar ao longo dos anos. E não se trata mais da derrota da esquerda: é a vida das pessoas que está em jogo, dos trabalhadores, homens, mulheres, crianças e idosos. É o futuro. E se não tivermos uma estratégia restarão o neopentecostalismo, o buraco sem fundo das redes sociais, a depressão ou a morte.

É preciso uma nova utopia. Uma outra história. A construção do socialismo.

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